CAFÉ PROTEGE O FÍGADO
Ampla pesquisa da CNN Brasil revela que café reduz risco de doenças hepáticas
Estudo com mais de 354 mil participantes indica que o consumo regular, mesmo em grandes quantidades, está associado a menor incidência de cirrose e câncer de fígado. Benefício parece ligado aos antioxidantes.
Uma nova e abrangente pesquisa aponta que o consumo diário de café pode significativamente reduzir o risco de desenvolver doenças hepáticas e câncer de fígado, mesmo para aqueles que ingerem cinco ou mais xícaras por dia. A descoberta, publicada nesta quarta-feira, 01/07/2026, no periódico Clinical Gastroenterology and Hepatology, baseia-se em um acompanhamento de mais de 354.000 participantes por mais de uma década.
“Este é provavelmente o estudo de acompanhamento de longo prazo mais abrangente sobre o impacto do café”, afirmou o Dr. Hyunseok Kim, hepatologista especializado em transplantes no Cedars-Sinai Medical Center, em Los Angeles, e primeiro autor do estudo. As evidências sugerem que o benefício hepático do café não reside primariamente na cafeína, mas sim em seus efeitos antioxidantes, já que benefícios semelhantes foram observados em consumidores de café descafeinado.
O estudo mediu a incidência de cirrose – danos permanentes no fígado causados por doenças crônicas –, que afeta mais de 58 milhões de pessoas mundialmente e é responsável por quase 1,5 milhão de mortes anuais. Também analisou o carcinoma hepatocelular, o tipo mais comum de câncer de fígado, com cerca de 685.000 novos casos e mais de 597.000 óbitos globalmente a cada ano.
Os resultados indicam uma correlação clara: o consumo de uma a duas xícaras diárias reduziu o risco de cirrose em 20%, de câncer de fígado em 24% e de morte por causas hepáticas em 31%. Para quem ingeria de três a quatro xícaras, a redução foi de 35% para cirrose e câncer, e 41% para mortalidade hepática. O consumo de cinco ou mais xícaras por dia associou-se a uma diminuição de 32% no risco de cirrose, 47% no de câncer de fígado e 42% na probabilidade de morte por doenças do fígado.
A nutricionista Lauren Manaker, que não participou da pesquisa, ressaltou que, apesar dos números expressivos, “são associações, não provas de causalidade”. Ela também alertou sobre os cuidados com o consumo de açúcar, adoçantes e cremes adicionados ao café.
Pesquisas adicionais revelaram que os consumidores de café apresentavam marcadores inflamatórios hepáticos mais baixos e menor acúmulo de gordura e inflamação no fígado, conforme confirmado por exames avançados de ressonância magnética. O Dr. Kim destacou que a combinação de dados de imagem e análises clínicas fortalece a confiabilidade dos achados.
A pesquisa reconhece limitações, como a medição do consumo de café apenas no início do estudo e a predominância de participantes europeus e preocupados com a saúde. A variabilidade individual na metabolização da cafeína também é um fator a ser considerado, sendo que a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) recomenda um limite de 400 miligramas diários para adultos, o equivalente a duas ou três xícaras de 350 ml. Para evitar interferências no sono, recomenda-se interromper o consumo de cafeína seis horas antes de dormir.
A Associação Americana do Coração sugere limitar a ingestão de açúcares adicionados, enquanto o Dr. Kim sugere que os antioxidantes presentes no café, independentemente da cafeína, podem ser os responsáveis pela redução da inflamação e cicatrização hepática.
Os benefícios do café se estendem a outros órgãos, com estudos associando seu consumo a um menor risco de diabetes tipo 2, doenças cardíacas e insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral e demência.
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