LUTO EM RO

Amigas de Rondônia partem juntas na luta contra leucemia

Lara Gabriela e Maria Eduarda, amigas, sorrindo juntas no Hospital do Amor.
Lara Gabriela e Maria Eduarda — Foto: Arquivo Pessoal/Guilherme Vlaxio

Lara Gabriela e Maria Eduarda, unidas pela amizade e pela doença, faleceram com apenas uma hora de diferença em 11 de maio de 2026.

A profunda amizade entre Lara Gabriela e Maria Eduarda, que por anos se uniram na árdua luta contra a leucemia, teve um desfecho comovente nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026, em Rondônia. As jovens, que transformaram os corredores do Hospital do Amor em Porto Velho e Cacoal em um palco de apoio mútuo e esperança, faleceram com apenas uma hora de diferença, deixando um legado de resiliência e amor que ecoa por todo o estado.

Apesar da dor de perder outros colegas de tratamento, Lara Gabriela havia prometido a si mesma não criar novos laços no Hospital do Amor. Contudo, a luminosidade e o carisma de Maria Eduarda, carinhosamente chamada Duda, quebraram essa barreira. Rapidamente, as jovens se tornaram inseparáveis, compartilhando cada etapa da batalha contra a leucemia por anos. Na semana que culminou na última segunda-feira, 11 de maio de 2026, ambas viveram seus derradeiros momentos no mesmo hospital, partindo com uma diferença de apenas uma hora.

Essa inquebrável amizade nasceu no Hospital do Amor, localizado em Porto Velho. Lara, diagnosticada com leucemia linfoblástica aguda aos 12 anos em 2021, já enfrentava a doença há mais tempo quando conheceu Duda, que havia chegado de Cacoal (RO) com a mãe para iniciar o tratamento do mesmo tipo de câncer.

"A Duda foi devagarzinho conquistando a Lara, destravando esse bloqueio que a Lara tinha colocado nela mesma e simplesmente viraram melhores amigas. Uma apoiando a outra, uma sofrendo pela outra", recorda com emoção Guilherme Vlaxio, pai de Lara.

O vínculo entre elas transcendeu as paredes do hospital. Além de dividir a rotina de consultas, internações e exames, as amigas começaram a fazer parte da vida uma da outra, celebrando aniversários juntas e compartilhando momentos nos finais de semana, construindo uma família escolhida.

Quando Lara comemorou o fim de sua última sessão de quimioterapia, em maio de 2024, Duda estava ao lado da amiga, vibrando em cada sorriso. Em 2026, foi a vez de Maria Eduarda encerrar seu tratamento, com Lara retribuindo o apoio e a alegria que recebeu.

Contudo, Duda não sabia que, naquele período, os médicos já investigavam uma possível recidiva da doença em Lara Gabriela. Mesmo após a confirmação do diagnóstico, Lara pediu, em um gesto de altruísmo comovente, que ninguém comentasse nada com a amiga para não atrapalhar um exame crucial que ela faria naquele mesmo dia.

"De início foi muito pesado para ela, ela chorou, mas chorou assim, dois minutos. Engoliu o choro, aí falou assim: 'doutora, eu não quero que a Duda me veja assim, porque ela vai fazer um exame importante, e ela não pode falhar nesse exame importante'", relata Guilherme Vlaxio, emocionado.

Em 22 de abril de 2026, Lara retomou o tratamento contra a leucemia. Pouco mais de uma semana depois, Duda também foi internada após sentir-se mal. Devido à baixa imunidade, as amigas não puderam se encontrar fisicamente, mas mantiveram contato por videochamadas e fizeram uma promessa singela: quando estivessem melhor, caminhariam juntas pelo corredor para fofocar e "botar as histórias em dia".

[embed]https://www.g1.globo.com/videos/992055[/embed]
Vídeos em alta no g1

Porém, a saúde de Duda piorou rapidamente, e ela foi transferida para a UTI. Em seguida, Lara também precisou ser internada na unidade de terapia intensiva. As duas foram entubadas no domingo, 10 de maio de 2026, e, conforme Guilherme Vlaxio, faleceram na segunda-feira, 11 de maio de 2026, com cerca de uma hora de diferença.

Berenice Ramos, mãe de Duda, compartilhou nas redes sociais que o câncer de sua filha havia retornado e se espalhado para o cérebro. Naquela mesma segunda-feira, os médicos declararam a morte cerebral de Maria Eduarda.

A história dessas duas amigas tocou profundamente familiares, amigos e todos que acompanharam sua corajosa jornada contra a leucemia. Unidas pela adversidade, Lara e Duda transformaram os ambientes hospitalares em um santuário de amizade, apoio incondicional e esperança, mantendo o espírito aceso até os seus últimos dias.

"Lara é luz desde sempre. Onde ela passava ela era amor, ela sempre encantou a todos. Lara era uma pessoa boa. Lara, mesmo com todo sofrimento, com toda a dor, ela não reclamava, ela não tinha medo. Ela era forte, guerreira. Sempre fez questão de tranquilizar a todos e sempre mostrar que estava bem, até mesmo quando não estava", homenageou a tia de Lara, Raíza Vlaxio, em um depoimento carregado de carinho.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário