GESTÃO EM PAUTA
Amariudo Santos: quase R$ 2 milhões para a família em Ouro Branco
Levantamento no Portal da Transparência aponta pagamentos entre 2021 e 2026 para parentes próximos do prefeito interino.
Entre 2021 e 2026, um levantamento minucioso do Portal da Transparência de Ouro Branco revelou que a gestão do prefeito interino Amariudo Santos destinou quase R$ 2 milhões em verbas públicas a seus familiares. A concentração de recursos e cargos em um núcleo familiar próximo ao gestor, um padrão identificado na administração municipal, levanta sérios questionamentos éticos e sobre o uso da máquina pública, impactando diretamente a percepção de justiça e transparência para a comunidade.
A chegada de Amariudo ao comando do município, com apoio do grupo governista liderado por Samuel Souto, coincidiu com a ampliação da presença de familiares tanto na estrutura pública quanto em funções que variam de cargos operacionais a posições estratégicas. Os valores, que somam exatos R$ 1.873.000,00, incluem salários, gratificações, contratos e repasses vinculados à administração municipal no período analisado.
Parentes em cargos estratégicos e operacionais
Dados atualizados da folha salarial da Prefeitura de Ouro Branco, referentes a esta quarta-feira, 06/05/2026, mostram que diversos parentes do prefeito interino ocupam cargos remunerados na gestão, evidenciando a extensão dos vínculos familiares:
- O próprio prefeito recebe R$ 21.748,82 mensais;
- A sobrinha Kyara, assistente social, recebe R$ 2.985,12;
- A sobrinha Hellen Angeline dos Santos Silva, na área da educação, recebe R$ 2.451,60;
- O cunhado Edjailson Medeiros Pereira, motorista, recebe R$ 5.104,93;
- O sobrinho Guilherme Ricardo dos Santos Lucena, servente, recebe R$ 1.783,10;
- O genro Lenilson Silva de Azevedo recebe R$ 1.650,00.
Entre os salários, a remuneração do motorista se destaca, superando o padrão comum em municípios de pequeno porte e sugerindo a adição de gratificações ou acúmulo de funções.
Valores vão além dos salários diretos
A análise aprofundada revelou que a distribuição de recursos se estendeu para além dos salários fixos, englobando contratos, gratificações e manutenção em cargos ao longo dos últimos anos. Os montantes acumulados por cada familiar direto ou associação ligada à família são:
- R$ 407 mil para o próprio Amariudo;
- R$ 400 mil destinados a uma associação de músicos ligada ao irmão;
- R$ 163 mil ao irmão Almir Moreira;
- R$ 203 mil à sobrinha Kyara;
- R$ 75 mil à sobrinha Hellen;
- R$ 35 mil ao cunhado Edjailson;
- R$ 98 mil ao sobrinho Guilherme;
- R$ 405 mil à filha Luanna Moreira;
- R$ 78 mil ao genro Lenilson;
- R$ 6,5 mil à cunhada Socorro, contratada sem processo seletivo.
Os valores identificados referem-se apenas a vantagens diretas nos registros públicos, indicando que o volume total de recursos pode, na realidade, ser ainda maior.
Concentração de renda versus realidade social
Este cenário de concentração de recursos se torna ainda mais gritante quando confrontado com a realidade social de Ouro Branco. Enquanto um grupo restrito de familiares do prefeito acumula quantias expressivas da administração municipal, parte da população – incluindo membros da própria família ampliada – persiste em situação de vulnerabilidade, dependente de programas assistenciais. A disparidade levanta sérias questões sobre equidade e o impacto da gestão na vida dos cidadãos.
Transparência e a sombra do nepotismo
É importante ressaltar que a mera presença de parentes em cargos públicos não configura ilegalidade em todos os casos. Contudo, a magnitude e a concentração de vínculos e recursos dentro de um mesmo núcleo familiar na administração de Ouro Branco suscitam questionamentos fundamentais sobre:
- Os critérios transparentes para nomeações;
- A possível prática de nepotismo;
- O uso político da estrutura administrativa para benefício particular;
- A concentração indevida de renda proveniente de recursos públicos.
Disputa eleitoral e o futuro da gestão
O debate ganha ainda mais peso em virtude das eleições suplementares em Ouro Branco. Alçado à condição de candidato do grupo governista, Amariudo Santos tem a possibilidade de transformar sua permanência no poder na continuidade de um modelo administrativo já sob escrutínio. Para muitos críticos, os dados extrapolam a esfera da disputa política: eles indicam a manutenção de um sistema que, conforme os registros oficiais, tem privilegiado diretamente um grupo familiar específico.
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