JUSTIÇA CONTRA FEMINICÍDIO
Alison de Araújo Mesquita irá a júri popular por feminicídio em MG
Homem que forjou acidente após assassinar a esposa em dezembro de 2025 enfrentará o Tribunal do Júri; prisão preventiva foi mantida.
O Tribunal do Júri da Comarca de Belo Horizonte decidiu submeter Alison de Araújo Mesquita a julgamento popular, em decisão proferida em 14 de julho de 2026. A juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza determinou a pronúncia do réu sob a acusação de feminicídio, com qualificadoras de violência doméstica, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de fraude processual, em um caso que chocou a capital mineira pela tentativa de encobrir o crime com uma simulação.
A magistrada manteve a prisão preventiva do acusado, garantindo que ele permaneça custodiado enquanto aguarda o desenrolar do processo. A decisão reflete a gravidade atribuída ao caso, visto que a liberdade do réu representaria um risco à ordem pública e à aplicação da lei penal.
Conforme o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o crime ocorreu na madrugada de 14 de dezembro de 2025, no bairro Nova Suíça, região Oeste de Belo Horizonte. A vítima teria manifestado o desejo de encerrar o relacionamento, momento em que Alison de Araújo Mesquita a teria esganado até a morte. Para ocultar o feminicídio, o agressor colocou o corpo da mulher no banco do motorista de um veículo e dirigiu em direção a Divinópolis. No km 90 da rodovia MG-050, ele provocou um acidente proposital para sustentar a farsa de que a esposa teria falecido na colisão.
A denúncia do MPMG destaca que a conduta do réu demonstrou um acentuado grau de misoginia e a objetificação da mulher como um instrumento para sua própria autopreservação. Em contrapartida, a defesa do acusado argumentou pela absolvição, sustentando a suposta inexistência de provas robustas que ligassem o homem à autoria do crime doloso contra a vida.
A decisão de pronúncia marca uma etapa fundamental na busca por justiça, embora ainda caibam recursos à defesa contra o envio do caso ao Tribunal do Júri. A sociedade de Belo Horizonte aguarda agora o agendamento da sessão de julgamento, que será decisiva para a responsabilização definitiva pelo crime.
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