RISCO BOLSONARISTA

Aliados de Bolsonaro veem Flávio como risco eleitoral após negócios com Vorcaro

Flávio Bolsonaro discursando.
Flávio Bolsonaro em pronunciamento.

Crise envolvendo o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro gera temor de contaminação em campanhas locais e dificulta alianças para 2026. Setores como mercado financeiro, agronegócio e evangélicos demonstram incômodo.

O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em pronunciamento na sede de seu partido em Brasília (DF), na tarde de terça-feira, 19 de maio de 2026, enfrentou um diagnóstico cada vez mais preocupante nos bastidores: ele se tornou um personagem politicamente "contaminado", mesmo para setores da base bolsonarista. A associação com o banqueiro Daniel Vorcaro levanta o temor de que o desgaste eleitoral irradie para campanhas locais e complique alianças essenciais para a disputa de 2026, impactando diretamente a percepção e a viabilidade de seus aliados e de futuros projetos políticos.

O desafio histórico de Flávio Bolsonaro sempre foi expandir seu alcance para além do núcleo duro do bolsonarismo. Contudo, interlocutores do campo conservador apontam que a atual crise atinge justamente os pilares que sustentam esse grupo político: o mercado financeiro, o agronegócio, os evangélicos e a classe política. Parlamentares e dirigentes partidários, embora mantenham um discurso oficial de unidade, demonstram um crescente receio de ter que "carregar" o senador em campanhas estaduais e municipais, alertando para um risco real de contaminação eleitoral.

No mercado financeiro, o cenário é ainda mais delicado. Empresários e banqueiros relatam uma resistência crescente até mesmo a reuniões reservadas com Flávio Bolsonaro. Embora o senador tente articular uma nova proposta para a área econômica, similar ao impacto de Paulo Guedes em 2018, ele encontra dificuldades em agregar nomes que sinalizem renovação. Figuras próximas, como Gustavo Montezano (ex-BNDES) e Adolfo Sachsida (ex-ministro), não geram a confiança necessária no mercado. A crise envolvendo Vorcaro agravou essa situação, com o receio de "ninguém querer se comprometer com um candidato visto como tóxico", conforme resumiu um expoente do setor.

Flávio Bolsonaro em evento
Agora no g1

No segmento evangélico, a movimentação de Michelle Bolsonaro é acompanhada com atenção. Lideranças religiosas próximas à ex-primeira-dama avaliam que ela preservou seu capital político ao não defender publicamente Flávio. Isso fortalece discussões sobre uma possível composição de direita, na qual Michelle poderia ocupar a vice-presidência. Essa hipótese encontra menos resistência em Jair Bolsonaro do que uma candidatura dela à liderança da chapa, mas o impasse sobre quem comandaria o projeto persiste.

Já no agronegócio, o ambiente é de cautela crescente. Apesar da lealdade majoritária ao campo conservador, empresários do setor demonstram incômodo com o desgaste político e jurídico que afeta o entorno bolsonarista. Reservadamente, aliados sintetizam que a principal crise de Flávio Bolsonaro transcendeu as questões externas e atingiu o cerne de sua própria base de sustentação política, comprometendo sua imagem e sua capacidade de articulação.

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