INOVAÇÃO NA PREVENÇÃO

PrEP injetável contra HIV tem 97% de aceitação em estudo da Fiocruz

Frasco de medicamento injetável contra o HIV.
Pesquisas indicam avanço na proteção contra o HIV com medicamentos de longa ação.

Pesquisa da Fiocruz aponta alta adesão ao lenacapavir, aplicado semestralmente. Governo federal condiciona incorporação ao SUS a preços justos.

Uma nova opção de profilaxia contra o HIV, aplicada apenas duas vezes por ano, demonstrou alta aceitação entre os voluntários de um estudo brasileiro coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O levantamento, realizado entre 3 de fevereiro e 15 de julho deste ano, aponta que 97% dos participantes elegíveis preferiram a nova tecnologia injetável em substituição ao modelo de comprimidos diários oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A PrEP, sigla para profilaxia pré-exposição, é uma estratégia fundamental para pessoas sem o HIV. O medicamento impede que o vírus se estabeleça no organismo em caso de exposição, salvaguardando a saúde do indivíduo e reforçando a dignidade no acesso ao cuidado preventivo.

Dos 668 voluntários aptos ao estudo ImPrEP LEN-Brasil, 651 optaram pelo lenacapavir. O dado ganha relevância social ao revelar que 78,3% dos que iniciaram o tratamento nunca haviam utilizado qualquer modalidade anterior de PrEP, o que sinaliza que a opção injetável pode alcançar populações que possuem dificuldade em manter a rotina diária de comprimidos.

Beatriz Grinsztejn, pesquisadora do INI/Fiocruz e presidente da Sociedade Internacional de Aids (IAS), destaca a relevância do achado: “As pessoas estão atentas às novas tecnologias. Estratégias de longa ação podem ser muito efetivas na vida real, ampliando as possibilidades de cobertura preventiva”.

Apesar da eficácia próxima de 100% observada em estudos clínicos, a disponibilidade no sistema público ainda enfrenta entraves financeiros. O governo federal tem adotado uma postura cautelosa, afirmando que não avançará na incorporação enquanto o preço exigido pelo fabricante for considerado incompatível com a realidade orçamentária do Brasil. A posição oficial é de que recursos públicos não devem ser drenados para margens de lucro elevadas, priorizando a sustentabilidade do acesso.

Os resultados preliminares do estudo serão apresentados na 26ª Conferência Internacional de Aids (AIDS 2026), no Rio de Janeiro. Enquanto o processo de definição de preço segue em tramitação junto à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), a Gilead, fabricante da droga (comercializada como Sunlenca), informou que mantém conversas com órgãos internacionais, como a Organização Pan-Americana da Saúde, para buscar soluções de acesso na América Latina.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário