PODER POLÍTICO
Alcolumbre impulsiona reeleição com manobras no Senado
Senador atinge Caso Master e desafia governo Lula com vetos do PL da Dosimetria em votações cruciais.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), orquestrou uma complexa estratégia política nesta semana, utilizando a oposição bolsonarista para dois fins claros: enfraquecer as ramificações do Caso Master, que persiste como uma sombra sobre seu grupo político, e solidificar seu projeto de reeleição ao comando da Casa em 2027. Essa articulação, que se desenrolou intensamente até a quinta-feira, 30 de abril de 2026, revela um jogo de poder com potencial para reconfigurar a composição do Supremo Tribunal Federal e influenciar diretamente a aplicação da justiça em casos de alta relevância social, como os do 8 de Janeiro.
A tática de Alcolumbre se manifestou em duas votações cruciais. Primeiramente, na rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias para uma cadeira no STF. Em seguida, na bem-sucedida derrubada, pelo Congresso, dos vetos do presidente Lula ao PL da Dosimetria, uma legislação que prevê a redução das penas para os condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de Janeiro.
A não aprovação de Messias beneficiava tanto Alcolumbre quanto a oposição, que visavam enviar um sinal de força ao governo Lula. Contudo, o presidente do Senado tinha um objetivo adicional: fragilizar o ministro André Mendonça, relator do sensível Caso Master no STF, visto como um potencial entrave aos seus interesses.
Mendonça atuou como um dos principais articuladores pela aprovação de Messias, chegando a contatar senadores da oposição em busca de votos. Seu propósito era claro: assegurar um aliado na Corte para contrapor a ala majoritária do tribunal, que diverge de suas posições.
Nesse contexto, aliados próximos de Alcolumbre levantam a suspeita de que a articulação para barrar Messias possa ter contado com a participação do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e do ministro do STF Alexandre de Moraes. Ambos, notavelmente, tiveram seus nomes atrelados ao controverso Caso Master, o que intensifica as especulações sobre os bastidores da política.
Em paralelo, a reversão dos vetos presidenciais ao PL da Dosimetria representava um interesse central para o grupo bolsonarista. Ciente dessa prioridade, Alcolumbre postergou a votação por quatro meses, estrategicamente pautando a análise dos vetos para a quinta-feira, 30 de abril de 2026, precisamente um dia após a derrota de Messias no Senado.
Essa movimentação não foi fortuita. Previamente, o senador selou um acordo com a oposição: em contrapartida à anulação dos vetos, que beneficiaria o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros condenados pelos eventos de 8 de Janeiro com penas reduzidas, os bolsonaristas aliviariam a pressão pela instalação de uma CPI para investigar o Caso Master. Um verdadeiro toma lá dá cá que expõe a fragilidade das instituições frente a barganhas políticas.
Ao sair vitorioso sobre o governo Lula em ambas as frentes – a não aprovação de Messias e a votação do PL da Dosimetria –, Alcolumbre reforça sua influência e busca se consolidar como um nome forte entre os parlamentares de direita, visando sua reeleição como presidente do Senado em fevereiro de 2027.
Essa estratégia se fundamenta na percepção de que, independentemente do resultado da eleição presidencial de 2026, que definirá o ocupante do Palácio do Planalto, a composição do Senado Federal tende a inclinar-se mais à direita. O cálculo é reforçado pela expectativa de que dois terços das cadeiras do Senado poderão ser renovadas no pleito de 2026, abrindo espaço para uma nova configuração de poder.
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