CRISE INSTITUCIONAL
Alcolumbre endurece contra Lula: "Não espero nada"
Presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) reitera postura em meio à crise com o Executivo. Lula tenta reaproximação via ministros.
A crise política entre o Executivo e o Legislativo se aprofundou quando o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), declarou enfaticamente que "não tem o que esperar do governo" nesta quarta-feira, 06/05/2026. A afirmação, carregada de frustração, reflete um prolongado impasse nas relações entre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e o Congresso Nacional, que ameaça a governabilidade e o avanço de pautas essenciais para o país.
Ao ser abordado por jornalistas na saída do plenário, Alcolumbre reforçou sua postura desafiadora. Questionado sobre suas expectativas em relação à gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador foi direto: "Tenho que esperar alguma coisa? Não tenho o que esperar", evidenciando a distância entre as esferas de poder.
A origem dessa turbulência remonta à indicação de Jorge Messias, então advogado-geral da União, para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal). Alcolumbre defendia a prerrogativa de maior influência do Legislativo na escolha, inclusive preferindo o nome de Rodrigo Pacheco (PSB-MG), e viu a nomeação de Messias como um desrespeito à sua posição e à articulação do Senado.
Esse desentendimento atingiu seu ponto mais crítico com a rejeição de Messias no plenário do Senado, um revés significativo para o Palácio do Planalto. O candidato do governo obteve 7 votos a menos do que os 41 necessários para aprovação, expondo a fragilidade do diálogo entre o Executivo e uma ala importante do Congresso.
A derrota de Messias foi resultado de uma articulação política complexa, unindo forças bolsonaristas, lideradas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), um dos principais oponentes de Lula nas eleições presidenciais de outubro, e o próprio presidente do Senado. A colaboração entre esses grupos trabalhou incansavelmente até os últimos instantes para selar o revés do governo.
Após a rejeição de Messias e a derrubada do veto à Dosimetria – outro ponto de fricção –, o Executivo esperava uma reaproximação com Alcolumbre, especialmente devido à futura possibilidade de indicar um novo nome para o Supremo ainda neste governo e antes das eleições de outubro. Para isso, o presidente Lula planeja um encontro direto com o senador amapaense na próxima semana. Antes, contudo, Lula mobilizou dois ministros da Esplanada dos Ministérios para pavimentar o caminho: José Guimarães, da Secretaria de Relações Institucionais, e José Múcio Monteiro, da Defesa.
Os dois ministros se reuniram na manhã de terça-feira, 05/05/2026, na residência oficial do Senado. Interlocutores de ambos os lados, em contato com a CNN, indicaram que a pauta do encontro girou em torno de possíveis gestos e acenos recíprocos para distensionar o ambiente político entre o Palácio do Planalto e o Senado Federal. O presidente Lula, que se reuniu com Múcio na véspera, foi imediatamente informado sobre o teor da conversa.
O distanciamento do Executivo ficou ainda mais evidente na manhã desta quarta-feira, 06/05/2026. Enquanto os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), do Senado, Davi Alcolumbre, e do STF, Edson Fachin, participavam de um evento no plenário Ulysses Guimarães para celebrar os 200 anos da Câmara dos Deputados, o presidente Lula optou por não comparecer. Em vez disso, o chefe do Executivo recebeu cartas de sete novos embaixadores no Palácio do Planalto, marcando uma ausência simbólica em um momento de congraçamento entre os poderes.
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