BASTIDORES POLÍTICOS
Alcolumbre articula Pacheco no TCU e tensiona cenário de Lula em Minas
Movimentação no Senado busca pacificar ambiente e pode frustrar planos presidenciais de Lula para 2026.
Uma manobra política que ganhou força nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, à frente, articula a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU). A movimentação, que visa pacificar o ambiente no Congresso e reorganizar o tabuleiro político em Minas Gerais, acende um alerta no Palácio do Planalto. A saída de Pacheco da arena eleitoral mineira poderia inviabilizar os planos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de fortalecer seu palanque no segundo maior colégio eleitoral do país.
A cadeira em discussão no Tribunal de Contas da União (TCU) seria liberada com a possível saída do ministro Bruno Dantas, cuja indicação anterior foi patrocinada pelo MDB. Nos últimos dias, membros da bancada emedebista demonstraram abertura para apoiar o nome de Pacheco para o posto.
Relatos de senadores sugerem que a potencial nomeação de Pacheco para o TCU é vista como uma estratégia para "pacificar" o clima político no Senado, especialmente em meio a crescentes preocupações entre os parlamentares. Essa apreensão se intensificou após a operação da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Nos bastidores, muitos interpretaram o episódio como um claro sinal de alerta para as lideranças da Casa, provocando apelos por maior coesão entre os grupos políticos.
Desde então, a hipótese de Pacheco migrar para o TCU deixou de ser mera especulação e se tornou um tema concreto de discussão entre senadores do União Brasil, MDB e PSD. Observadores políticos acreditam que essa mudança permitiria uma reorganização das forças internas, aliviando tensões e, ao mesmo tempo, redesenhando o cenário político em Minas Gerais.
Outra possibilidade também está sendo analisada. Aliados de Pacheco acompanham a eventual abertura de uma segunda vaga no TCU, caso o ministro Augusto Nardes decida pela aposentadoria antecipada. Embora Nardes complete 75 anos somente em setembro de 2027, ele estaria avaliando deixar o cargo antes do prazo.
No âmbito da base governista, alguns admitem publicamente que a ida de Pacheco para uma cadeira vinculada ao Senado é politicamente viável. Em conversas reservadas, governistas reconhecem que o senador dificilmente seria contemplado em uma vaga de livre escolha do Presidente da República, mas enxergam espaço para sua indicação por articulação interna da Casa.
No entorno de Rodrigo Pacheco, interlocutores afirmam que o assunto é tratado com disposição para diálogo.
Contudo, o avanço dessas conversas abriu uma nova frente de atrito entre Alcolumbre e o Palácio do Planalto. Integrantes do governo indicam que Lula resiste a perder Pacheco, por considerá-lo uma das poucas alternativas capazes de construir uma candidatura competitiva ao governo de Minas Gerais.
Pacheco já havia sido cogitado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), mas acabou preterido. Na ocasião, Lula apoiou o nome do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, cuja indicação foi rejeitada pelo Senado em uma articulação que teve Alcolumbre entre os principais influenciadores.
Apesar das investidas do PT, Pacheco tem demonstrado pouca disposição para entrar na disputa pelo governo de Minas. Interlocutores sugerem que o senador evita assumir compromissos eleitorais e mantém uma postura cautelosa, alimentando a percepção de que uma vaga no TCU pode ser um caminho mais atraente.
Para o PT, a saída de Pacheco da arena eleitoral significaria abrir espaço para candidaturas ligadas ao bolsonarismo e ao grupo do governador Romeu Zema (Novo). Essa indefinição também trava negociações entre partidos no estado. Dirigentes de diversas legendas reclamam, em caráter reservado, que Pacheco não confirma candidatura, mas tampouco libera aliados para apoiar outros projetos políticos.
Caso aceite uma vaga no TCU, o senador encerraria de imediato essa indefinição, abrindo espaço para uma reorganização das forças políticas em Minas, envolvendo partidos como MDB, União Brasil, PDT e PSDB.
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) afirmou que Rodrigo Pacheco não tratou com seus aliados sobre a possibilidade de migração para o Tribunal de Contas da União.
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