AGRO RECEBE REFORÇO

Alckmin anuncia R$ 31 bi ao agro e defende mais etanol

Geraldo Alckmin
Geraldo Alckmin

Vice-presidente detalha medidas de crédito e logística, propondo 32% de etanol na gasolina. Ministro da Agricultura aborda barreiras da União Europeia.

Geraldo Alckmin, vice-presidente da República, anunciou nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, um pacote de R$ 31 bilhões em medidas destinadas à modernização do campo e ao fortalecimento da frota de transporte. Durante o 4º Congresso Abramilho, em Brasília, Alckmin também defendeu a elevação da mistura de etanol na gasolina para 32%, visando ganhos econômicos e ambientais que impactam diretamente a produtividade agrícola, a logística de escoamento da safra e o custo dos combustíveis para o consumidor.

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula (PSD), também marcou presença no evento e abordou a segurança sanitária brasileira diante das recentes suspensões de exportação impostas pela União Europeia, ressaltando a importância de preservar a reputação do agronegócio nacional.

Injeção de Crédito e Logística

  • Maquinário Agrícola: Foram disponibilizados R$ 10 bilhões via Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), com taxas de juros competitivas, entre 8% e 9%, para que produtores possam adquirir tratores e colheitadeiras modernos, otimizando a produção.
  • Frota de Transporte: O vice-presidente confirmou uma nova parcela de R$ 21,2 bilhões para o setor de transportes, essencial para o escoamento eficiente da safra. Desse montante, R$ 17 bilhões são direcionados a caminhões e R$ 2 bilhões a ônibus.
  • Combustíveis: A proposta de Alckmin para elevar a mistura de etanol na gasolina de 30% para 32% visa não apenas reduzir a dependência de combustíveis fósseis, mas também gerar economia, uma vez que o etanol anidro se mostra mais acessível que a gasolina no momento.

Defesa Contra Barreiras Europeias

No mesmo congresso, André de Paula expressou surpresa com a possibilidade de suspensão das exportações de carnes e outros produtos para a União Europeia, caso o Brasil não se adeque a novas regras sanitárias do bloco. O ministro, no entanto, garantiu que o sistema agrícola brasileiro é “sólido, robusto e acreditado”, assegurando que as exportações seguem sem interrupção imediata.

De Paula informou que o embaixador do Brasil na UE já iniciou conversas com a autoridade sanitária europeia, buscando esclarecer os requisitos e encontrar caminhos para que o setor produtivo nacional se ajuste às exigências. Essa articulação é crucial para proteger os mercados externos e a renda de milhares de produtores.

Articulação Política e Fundo Garantidor

O ministro André de Paula descreveu seu papel no Ministério da Agricultura como um “advogado” dos interesses do agronegócio dentro do governo. Ele sinalizou que o governo estuda a implementação de um Fundo Garantidor de Investimento para a agricultura. Essa medida visa suprir a carência de garantias reais por parte dos produtores, facilitando, assim, o acesso ao crédito bancário e fomentando novos investimentos no setor.

A "Tempestade Perfeita" do Setor

A senadora Tereza Cristina (PP) também esteve presente e caracterizou o cenário atual do agronegócio como uma “tempestade perfeita”, em razão da combinação de juros altos e queda nos preços das commodities. Ela fez um apelo urgente pela renegociação de dívidas dos produtores, ressaltando a necessidade de ação antes do lançamento do próximo Plano Safra, para evitar um colapso financeiro em diversas propriedades rurais.

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