EMPREGOS EM ALTA
Agronegócio bate recorde histórico de vagas e Cepea destaca diversificação
Mais de 28 milhões de pessoas empregadas em 2025, 26% da força de trabalho nacional. Crescimento puxado por agroserviços fora da porteira.
O agronegócio brasileiro consolidou um marco histórico no ano passado, gerando um recorde de mais de 28 milhões de empregos e representando 26% da força de trabalho nacional. Este crescimento, o maior desde que o Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea) iniciou seus levantamentos em 2012, demonstra a força e a diversificação do setor, que expande suas oportunidades muito além das fazendas e impacta diretamente a vida de milhões de famílias com mais dignidade e formalidade.
A percepção de que o agro se restringe ao campo começa a mudar. Em São Paulo, por exemplo, empresas de tecnologia dedicadas ao agronegócio empregam profissionais que analisam dados complexos sobre estoque e insumos em fazendas do interior paulista e da região Centro-Oeste. É um universo que se abre para talentos de diversas áreas.
Giulia Muraro, por exemplo, atua há seis meses no marketing de uma dessas empresas e descobriu um novo campo de atuação. "Agora eu trabalho com o agro e a tecnologia aplicada à indústria e ao agro. Você tem que desbravar, tem que aprender e tem que ter curiosidade, não tem como", compartilha Giulia, ilustrando a dinâmica e a necessidade de inovação que o setor exige.
A cadeia do agronegócio vai muito além do trabalho direto na lavoura. Ela engloba os processos que antecedem o plantio e os que sucedem a colheita, e é justamente nestes segmentos, fora das porteiras, que a maioria das novas vagas surgem. Carolina Ramos, gerente comercial de uma dessas empresas, confirma a expansão: "A nossa empresa contratou ano passado 30 novos funcionários, e este ano tem o projeto de contratar mais 50", revelando um cenário promissor de crescimento contínuo.
Os "agroserviços" são os grandes impulsionadores deste crescimento. Nicole Rennó Castro, professora da Esalq/USP e pesquisadora do Cepea, explica a amplitude: "Desde transporte, armazenamento, comercialização, que são os serviços mais óbvios, logísticos, mas também trabalhadores de restaurantes, um advogado que presta serviços para o produtor rural, um consultor, um contador, isso tudo é contabilizado nesses agroserviços". Esse mosaico de profissões mostra como o agronegócio permeia e sustenta diversas esferas da economia.
Enquanto o número de trabalhadores no campo diminuiu — um fenômeno comum em outros países devido à mecanização e migração para centros urbanos —, o setor compensou com a criação de vagas mais qualificadas e formais. O levantamento do Cepea aponta para um aumento de empregados com carteira assinada e, notavelmente, de profissionais com ensino superior, indicando uma evolução na demanda por expertise e especialização.
Em Rancharia, no interior de São Paulo, uma empresa especializada no processo de limpeza e seleção de soja antes da exportação exemplifica essa tendência. No ano passado, o quadro de funcionários cresceu 40%, passando de 160 para 230 colaboradores, com foco em áreas que exigem maior qualificação. Veronei Alves, diretor executivo, ressalta a importância dessas posições: "Nós saímos de 160 colaboradores e hoje estamos com 230. A área comercial, administrativa, que nós estamos exportando para três continentes, né, Europa, Ásia e Oriente Médio, e na área de operação".
Essa expansão não é apenas numérica; ela reflete uma transformação qualitativa no mercado de trabalho do agronegócio, oferecendo oportunidades de carreira robustas e diversificadas, que fortalecem a economia brasileira e consolidam o país como um gigante global na produção e inovação.
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