GOLPE EM CLIENTE

Advogado é preso no RN por desviar R$ 500 mil de cliente simulando depósitos judiciais

Advogado preso no Rio Grande do Norte após ser acusado de simular depósitos judiciais para desviar dinheiro.
Advogado preso no RN simulou depósitos para desviar R$ 500 mil, diz Polícia Civil.

Polícia Civil desarticula esquema de simulação de depósitos judiciais. Valores eram desviados para contas do advogado e esposa, totalizando R$ 500 mil entre 2021 e 2025.

Um advogado de 43 anos foi preso nesta quinta-feira, 28 de maio de 2026, pela Polícia Civil do Rio Grande do Norte (PC-RN) em Natal. Ele é suspeito de aplicar um golpe que desviou cerca de R$ 500 mil de um cliente, utilizando um esquema de simulação de depósitos judiciais ao longo de quase quatro anos. A investigação aponta que o cliente acreditava estar quitando as parcelas de um financiamento imobiliário, enquanto os valores eram direcionados a contas ligadas ao próprio advogado e à sua esposa.

A descoberta do esquema ocorreu durante a operação “Patrocínio Infiel”, deflagrada pela PC-RN. Além da prisão preventiva, mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços nos bairros de Neópolis e Lagoa Nova, incluindo o escritório de advocacia do investigado. A Justiça também determinou a indisponibilidade de veículos e imóveis associados ao suspeito.

Advogado preso no RN simulou depósitos para desviar R$ 500 mil, diz Polícia Civil.

Segundo a apuração, a vítima contratou o advogado para uma ação revisional de compra de imóvel comercial. O cliente foi informado que a Justiça autorizara o pagamento das parcelas via depósitos judiciais vinculados ao processo. Sob essa alegação, as prestações mensais, que superavam R$ 11 mil, eram transferidas para contas indicadas pelo profissional, sob o pretexto de serem repassadas à conta judicial. A investigação, no entanto, não encontrou qualquer autorização judicial para tal procedimento.

Não foram encontrados registros de depósitos judiciais ou pagamentos efetivos das parcelas, informação confirmada pelo Poder Judiciário. As transferências ocorreram entre 2021 e 2025, totalizando aproximadamente R$ 500 mil, período em que a vítima acreditava ter o imóvel regularizado.

A situação se agravou quando o cliente, acreditando estar em dia com o financiamento, vendeu seu imóvel residencial para evitar atrasos. O advogado continuava a cobrar as parcelas, reforçando a falsa impressão de regularidade.

A fraude veio à tona no fim de 2025, com uma ação de retomada de posse e propriedade do imóvel comercial movida pelo antigo proprietário, devido à ausência total de pagamento do financiamento. Ao confrontar o advogado, a vítima obteve apenas justificativas, e o profissional deixou de atender contatos.

A investigação também revelou que o suspeito produziu comprovantes ideologicamente falsos, alguns com referência ao número do processo judicial, para enganar o cliente. Além de estelionato e falsidade ideológica, a PC-AP apura suspeitas de lavagem de dinheiro, com parte dos recursos convertida em ativos para ocultar sua origem.

Representantes da OAB-RN acompanharam as diligências, conforme prevê a legislação para casos envolvendo advogados. O suspeito foi encaminhado ao sistema prisional, à disposição da Justiça.

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