RESULTADOS FINANCEIROS
Ações da Natura caem forte após prejuízo de R$ 445 milhões no 1º trimestre
Balanço divulgado na véspera revela aumento significativo nas perdas da empresa, impactando valor de mercado e gerando incertezas sobre o futuro operacional.
O grupo Natura registrou um prejuízo líquido de R$ 445 milhões no primeiro trimestre de 2026, montante significativamente superior aos R$ 152 milhões reportados no mesmo período do ano anterior. A notícia, divulgada em balanço na véspera, abalou o mercado, levando as ações da companhia a uma queda acentuada nesta terça-feira, 12 de maio de 2026. A desvalorização reflete a preocupação dos investidores com a performance da gigante de cosméticos, marcada pela queda nas vendas e pelos crescentes gastos com reestruturação, que já resultaram em redução de funcionários e projetam um cenário de turbulência operacional.
No pregão de 12 de maio de 2026, os papéis da Natura chegaram a desvalorizar mais de 6% logo na abertura, antes de se recuperarem parcialmente para uma queda de 1,5% por volta das 10h40. No mesmo horário, o índice Ibovespa registrava uma leve retração de 0,24%, evidenciando a reação específica e mais intensa do mercado à situação da Natura.
Além do prejuízo líquido alarmante, o desempenho operacional da companhia, medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recorrente, também sofreu um impacto severo. O valor apurado foi de R$ 346 milhões, representando uma queda expressiva de 55,7% em comparação com o mesmo período do ano passado. A receita líquida do grupo seguiu a mesma tendência de retração, caindo 7,7% e totalizando R$ 4,75 bilhões no período de janeiro a março.
Durante uma teleconferência com analistas realizada nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, o presidente-executivo João Ferreira admitiu que o primeiro trimestre foi "desafiador" tanto em termos de receita quanto de rentabilidade, embora tenha afirmado que os resultados estavam "alinhados com as expectativas internas". Ferreira também alertou sobre potenciais "turbulências" operacionais em junho, devido a uma migração no sistema de gestão empresarial da empresa. "Estamos bem preparados, mas por experiências vividas no mercado, acho bom deixar o alerta", frisou, reconhecendo os riscos de desestabilização que tais mudanças podem acarretar.
A diretora financeira, Silvia Vilas Boas, por sua vez, complementou que a empresa espera colher os frutos da recente redução de funcionários no decorrer do segundo trimestre, com a totalidade dos efeitos sendo absorvida apenas no segundo semestre. Essa declaração reforça o impacto direto das decisões financeiras na vida de centenas de famílias, em um cenário de incerteza e reestruturação que afeta profundamente a dignidade e a segurança dos trabalhadores.
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