RISCO À MESA BRASILEIRA

ABPA alerta para salto de preços em alimentos e risco à sua mesa

ABPA alerta para salto de preços em alimentos e risco à sua mesa

Proposta de elevação de tarifa sobre polietileno importado pode aumentar custos em 25%, impactando embalagens e o bolso do consumidor.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e entidades estaduais do setor emitiram um alerta crucial, nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026, sobre o risco iminente de uma nova onda de inflação nos preços dos alimentos. A preocupação central reside na proposta de revisão de uma medida antidumping sobre o polietileno importado dos Estados Unidos e Canadá, um insumo vital para as embalagens de carnes. Se aprovada, a alteração pode levar a um aumento de até 10% no custo final dos produtos na mesa do consumidor, comprometendo o orçamento familiar e a competitividade das exportações brasileiras.

O cenário já é desafiador para a cadeia brasileira de proteína animal. A elevação das tarifas, se confirmada, ampliaria a pressão sobre os custos da indústria, que já enfrenta um avanço expressivo de quase 70% nos preços internacionais das resinas plásticas. Este aumento é uma consequência direta do agravamento do conflito no Oriente Médio, que impacta a cadeia global de suprimentos.

As embalagens técnicas, empregadas pela indústria de carnes, são essenciais para assegurar a segurança sanitária, prolongar o prazo de validade, garantir resistência a baixas temperaturas e otimizar a eficiência logística das exportações brasileiras. Sem esses insumos adequados, a qualidade e a distribuição dos produtos são diretamente afetadas.

A inquietação do setor produtivo intensificou-se após a proposta de revisão da medida antidumping. Atualmente, a tarifa gira em torno de US$ 200 por tonelada, mas a nova proposta sugere uma elevação significativa para aproximadamente US$ 735 por tonelada. Esta mudança, segundo as entidades, pode gerar um impacto adicional de cerca de 25% sobre o custo das resinas.

Somado às pressões internacionais já existentes, esse aumento específico pode provocar uma nova alta entre 16% e 22% nos custos das embalagens, dependendo da tecnologia utilizada. Consequentemente, as estimativas de reajuste nos preços finais dos alimentos, que já superam 5% devido ao panorama internacional, poderiam se aproximar de 10% caso as novas medidas antidumping sejam implementadas.

A apreensão é ainda maior devido à forte dependência brasileira de resinas importadas. Aproximadamente 50% das resinas adquiridas pelo Brasil no último ano tiveram origem justamente nos Estados Unidos e Canadá, os países que seriam afetados pela medida tarifária.

Adicionalmente, fornecedores alternativos em regiões como Oriente Médio, Ásia e Egito também enfrentam restrições de oferta, agravadas pelas tensões internacionais. Este quadro limita severamente as opções de compra para a indústria brasileira.

O setor ressalta que os Estados Unidos estão entre as poucas origens globais com disponibilidade de resinas base metaloceno e octenos. Estas matérias-primas são consideradas fundamentais para embalagens destinadas à cadeia de frio e produtos submetidos a baixas temperaturas, amplamente utilizadas pela indústria brasileira de proteína animal para garantir a qualidade e segurança dos alimentos.

Diante desse cenário complexo, a ABPA e as entidades signatárias clamam por ações urgentes. Elas alertam para o risco de uma inflação alimentar adicional, que pesaria no bolso do consumidor, além da perda de competitividade das exportações brasileiras e um possível desabastecimento de insumos estratégicos para a cadeia produtiva.

As entidades defendem a adoção de medidas emergenciais para mitigar os impactos do atual quadro internacional. Entre as propostas, está a avaliação de mecanismos temporários de suspensão ou redução de tarifas incidentes sobre a importação de insumos essenciais para embalagens, buscando proteger o poder de compra da população e a solidez do setor.

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