VITÓRIA COM DESAFIO
Abelardo de la Espriella vence eleição presidencial na Colômbia por margem mínima
Eleição apertada e contestada por Gustavo Petro deixa Abelardo de la Espriella com pouca margem para reformas radicais prometidas na campanha. Transição política se anuncia difícil em país polarizado.
A Colômbia definiu nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026, que Abelardo de la Espriella será o próximo presidente, após uma vitória apertada que confere ao ultradireitista pouca margem para implementar as reformas radicais prometidas durante a campanha. A decisão, tomada em apuração preliminar, é de extrema importância por sinalizar um futuro de gestão desafiadora para o país sul-americano. Diante da diferença de menos de um ponto percentual, equivalente a 250 mil votos, para o candidato do governo, Iván Cepeda, analistas políticos preveem uma transição política difícil. A disputa acirrada expôs um país polarizado, cenário semelhante ao observado no vizinho Peru. Se a contagem preliminar se confirmar, Abelardo de la Espriella terá ação limitada no comando da quarta maior economia da América Latina. Será necessário buscar alianças com o bloco formado por partidos tradicionais de direita e de centro para viabilizar soluções rápidas descritas em seu plano de governo, denominado “Pátria Milagrosa”. "O Tigre miou", resumiu o pesquisador Carlos Malamud, especialista em América Latina do think tank Real Instituto Elcano, de Madri, em alusão ao apelido do eleito. Advogado e considerado um outsider da política tradicional, De la Espriella nunca ocupou um cargo público. Ele enfrentará um Congresso dividido, no qual a coligação de Petro detém o maior número de cadeiras, mas sem maioria absoluta. O desempenho de Espriella nas urnas ficou aquém do esperado por sua base eleitoral, um sinal de que a rejeição a ele é considerável, assim como ocorreu com o atual presidente Petro. Após a contagem preliminar dos votos, o candidato buscou acalmar os ânimos com o lema de que governará para todos os colombianos, declarando: "Não haverá um terceiro turno nas ruas." Ainda assim, seus aliados no continente se apressaram em festejar a vitória, utilizando superlativos que podem ser enganosos. "Ele ganhou e com folga!", escreveu o presidente americano, Donald Trump. "O Tigre e o Leão rugem na América Latina", bradou o argentino Javier Milei, referindo-se a si próprio. O equatoriano Daniel Noboa exaltou a escolha dos colombianos "pela ordem em vez da impunidade", e o chileno José Antonio Kast comemorou "a nova era de liberdade" na Colômbia. Abelardo De La Espriella — Foto: Charlie Cordero/Reuters
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