VIRADA NA COLÔMBIA

Abelardo de la Espriella vence eleição presidencial na Colômbia e altera mapa político da América do Sul

Abelardo de la Espriella celebra vitória em eleição presidencial na Colômbia.
Abelardo de la Espriella vence as eleições presidenciais na Colômbia, aponta apuração preliminar.

A vitória do direitista Abelardo de la Espriella, anunciada neste domingo (21), consolida o avanço da direita no continente sul-americano, que agora controla sete de 12 países. Especialistas analisam o cenário pendular e os riscos para a democracia.

A Colômbia decidiu nesta segunda-feira, 22/06/2026, eleger Abelardo de la Espriella como seu novo presidente. A decisão, tomada em uma votação acirrada que definiu o rumo ideológico do país, importa por reforçar a tendência de avanço da direita na América do Sul. O candidato direitista obteve 49,66% dos votos, superando o esquerdista Iván Cepeda, que registrou 48,7%. A margem de apenas 250 mil votos entre os dois candidatos demonstra a polarização política na nação andina. O resultado final aguarda a conclusão do processo de escrutínio, que oficializará a escolha.

A eleição de Espriella não representa apenas uma mudança de governo na Colômbia, mas também um marco na geopolítica regional. Com este resultado, a direita consolida sua hegemonia na América do Sul, passando a governar sete dos 12 países. A vitória representa o fim de um ciclo para a esquerda, que perde espaço em um continente historicamente marcado por alternâncias ideológicas. A análise de especialistas revela que a conjuntura atual reflete um movimento conservador global que se intensificou após 2010, impulsionado pelo fim do 'boom' das commodities e pelas crises econômicas.

Abelardo de la Espriella em evento de campanha.
Abelardo de la Espriella, candidato de direita, vence eleições presidenciais na Colômbia, aponta apuração preliminar.

O mapa político da América Latina demonstra um equilíbrio cada vez menor entre as forças de esquerda e direita. O Peru, por exemplo, encontra-se em processo de apuração final, mas a tendência aponta para a manutenção de um governo de direita, somando-se aos demais. Essa configuração reflete um padrão histórico de oscilação política na região, intensificada por fatores econômicos e sociais, como a desigualdade e a pobreza, que fragilizam as instituições democráticas.

Maurício Santoro, doutor em Ciência Política, explica que o continente vive uma guinada conservadora após 2010, resultado do esgotamento do ciclo econômico das commodities. "O que a gente tem agora é um continente que está bem dividido ideologicamente", afirma. Ele também ressalta a dificuldade de diálogo entre governos latino-americanos de diferentes orientações ideológicas em um cenário internacional conflituoso.

Regiane Nitsch Bressan, professora de Relações Internacionais, aponta que a alternância ideológica, embora natural em democracias, torna-se delicada em contextos de fragilidade institucional. "Existe um problema estrutural na América Latina por conta da nossa história, da nossa economia e do fato de vivermos com desigualdade e pobreza. Isso leva à descrença nas instituições democráticas", adverte. Ela alerta que essa pendularidade pode levar a governos autoritários, independentemente da ideologia.

A dinâmica da alternância no poder na América do Sul é um fenômeno complexo, com períodos de domínio da esquerda, como a "onda rosa" dos anos 2000, e de avanço conservador, como o observado após 2010. A crise econômica mundial de 2008 e o declínio das commodities dificultaram a permanência dos governos progressistas, abrindo caminho para a direita em diversas nações. No entanto, a partir de 2020, a pandemia trouxe novas dinâmicas, com um recuo da tendência conservadora em alguns casos. A projeção para 2026 indicava um cenário de seis países governados por líderes de esquerda e seis pela direita, um equilíbrio que a eleição na Colômbia agora altera.

Apesar dos avanços democráticos, a América do Sul enfrenta desafios persistentes para a consolidação institucional. A instabilidade democrática, agravada pela desigualdade, pobreza e a descrença nas instituições, torna a população vulnerável a discursos populistas e neopopulistas. A polarização crescente entre espectros ideológicos, segundo Santoro, inviabiliza iniciativas de integração e respostas unificadas a problemas como o avanço do crime organizado e crises humanitárias. A crise política regional, em sua avaliação, insere-se em um contexto global de instabilidade que afeta também a Europa e os Estados Unidos.

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