ELEITORES FORA DECIDEM

Abelardo de la Espriella é eleito presidente da Colômbia com apoio decisivo de eleitores no exterior

Foto de Abelardo de la Espriella, novo presidente da Colômbia.
Abelardo de la Espriella, eleito presidente da Colômbia, em postagem em seu Instagram.

Advogado "outsider" de direita superou Iván Cepeda com pouco mais de 250 mil votos. Contou com 63,8% das preferências de colombianos residentes em outros países.

O advogado Abelardo de la Espriella, representante da direita pelo partido Defensores de la Patria, foi eleito presidente da Colômbia na noite de domingo, 21 de junho de 2026. Ele superou o principal adversário, o filósofo Iván Cepeda (Pacto Histórico), por uma margem de pouco mais de 250 mil votos, uma vitória impulsionada por um segmento crucial do eleitorado: os colombianos residentes no exterior. A decisão de como o país seria governado nos próximos anos, portanto, teve um impacto direto na configuração política nacional, com a escolha de um nome que promete uma "mudança de ordem" e o fim de ciclos de violência e corrupção.

Dentre os eleitores colombianos que vivem fora do país, Espriella obteve 63,8% das preferências, garantindo uma vantagem de 177.809 votos sobre Cepeda. Segundo a agência AFP, essa expressiva performance no exterior foi fundamental para o triunfo sobre o candidato apoiado pelo atual presidente Gustavo Petro. Essa parcela de votos representou aproximadamente dois terços da diferença total entre os candidatos, evidenciando o peso decisivo do voto migrante na consolidação da vitória de Espriella.

Os resultados preliminares oficiais confirmam a vitória de Espriella com 49,6% dos votos válidos, enquanto Cepeda obteve 48,7%. Aos 47 anos, Espriella, que possui dupla cidadania (colombiana e americana) e já demonstrou apoio a Donald Trump, assume a Presidência em um momento delicado para a Colômbia, que atravessa a maior onda de violência da última década. Seu mandato irá até 2030.

Em seu primeiro pronunciamento como presidente eleito, feito em Barranquilla, Espriella declarou que o país iniciará uma "mudança de ordem" e que não haverá mais espaço para aqueles que "semearam violência, terror, narcotráfico e corrupção". As declarações sinalizam uma ruptura com o passado recente e um foco em segurança e combate à criminalidade, temas centrais em sua campanha.

A noite da eleição não foi pacífica em todas as regiões. Em Bogotá e Cali, manifestantes foram às ruas, expressando temor pela perda de direitos sociais e de programas voltados à população vulnerável. Houve confrontos com a polícia e a queima de bandeiras dos Estados Unidos, demonstrando a polarização do país e a apreensão de parte da sociedade civil quanto aos rumos da nova administração.

O candidato derrotado, Iván Cepeda, anunciou que não aceitará o resultado antes da apuração final. Ele pretende contestar cerca de 33.000 urnas, em uma tentativa de reverter o quadro eleitoral. A disputa, que se estende para além do resultado anunciado, reflete a profunda divisão política na Colômbia.

A vitória de Espriella também gerou repercussão internacional. Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência dos Estados Unidos, comemorou o resultado, demonstrando alinhamentos ideológicos com o novo presidente colombiano.

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