FUTEBOL E POLÍTICA

A trajetória de Mbappé e o embate com a extrema direita na França

Montagem mostrando Mbappé em campo e Marine Le Pen em ato político.
Kylian Mbappé e Marine Le Pen em evidência durante período de tensionamento político na França. — Foto: Reuters/James Lang/Sarah Meyssonnier

Enquanto a seleção francesa busca o título na Copa do Mundo, Mbappé confronta a agenda do Reunião Nacional de Marine Le Pen.

A seleção francesa de futebol, liderada pelo capitão Mbappé, assegurou sua vaga na semifinal da Copa do Mundo e mantém vivo o sonho do título ao enfrentar a Espanha. Nesta segunda-feira, 13/07/2026, o desempenho esportivo do elenco, composto em sua maioria por jogadores com ascendência imigrante e de periferias, coloca em evidência a tensão latente entre a identidade multicultural da equipe e a retórica nacionalista do partido Reunião Nacional, liderado por Marine Le Pen.

Marine Le Pen, que lidera as pesquisas de intenção de voto, recebeu autorização judicial para concorrer às eleições presidenciais em abril do próximo ano, mesmo sob monitoramento por tornozeleira eletrônica. O contraste é nítido: enquanto o Reunião Nacional, sob tutela de Le Pen e Jordan Bardella, propõe uma agenda anti-imigração, os Les Bleus — que contam com nomes como Ousmane Dembélé, Jules Koundé e Marcus Thuram — representam uma França diversa e bem-sucedida.

Em entrevista à revista Vanity Fair, Mbappé destacou a importância do voto consciente para o futuro da França. O jogador rejeita o rótulo de que esportistas devam se manter alheios à política. “Não preciso ser pago para defender as cores do meu país”, declarou o capitão, que doa integralmente seus bônus da seleção para instituições de caridade. A postura do atleta é compartilhada por seus companheiros e tem gerado críticas dos líderes do RN, que agora classificam o posicionamento dos jogadores como elitista, em uma tentativa de deslegitimar a influência que possuem junto à opinião pública.

Para analistas como Phillipe Bernard, do Le Monde, a seleção francesa atua como um espelho da sociedade. O sucesso de Mbappé no torneio ressalta a disparidade entre o sucesso coletivo alcançado por um time diverso e as propostas identitárias do partido de extrema direita. Longe de ser apenas um jogo de bola, a participação da França na Copa do Mundo consolida o esporte como um espaço fundamental de cidadania e resistência, desafiando a tentativa de silenciar vozes que reivindicam o direito de intervir nos rumos da nação.

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