INOVAÇÃO NA NEUROCIRURGIA
A tecnologia do marcapasso cerebral no tratamento de Parkinson e TOC
Conhecida como DBS, a estimulação cerebral profunda oferece nova esperança para quadros resistentes a terapias convencionais. O Dr. Cesar Cimonari de Almeida detalha o procedimento.
A estimulação cerebral profunda, técnica popularmente chamada de "marcapasso cerebral", consolida-se como um recurso essencial para pacientes que enfrentam doenças neurológicas e psiquiátricas graves sem resposta aos tratamentos convencionais. A decisão terapêutica, baseada em critérios científicos rigorosos definidos por equipes multidisciplinares, visa modular circuitos neurais específicos para devolver autonomia e dignidade a indivíduos com condições debilitantes.
O procedimento, conhecido tecnicamente como DBS (do inglês Deep Brain Stimulation), consiste na implantação de eletrodos em regiões determinadas do cérebro, conectados a um gerador de impulsos elétricos posicionado sob a pele, geralmente no tórax. Segundo o neurocirurgião Dr. Cesar Cimonari de Almeida, a técnica não destrói tecidos nem altera a personalidade, funcionando apenas como um regulador da atividade cerebral que apresenta disfunções.
Embora amplamente difundida no controle de tremores e rigidez causados pelo Parkinson, a tecnologia expandiu seu alcance para o tratamento do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) grave, distonia, tremores essenciais e epilepsia. A aplicação nestes cenários busca mitigar sintomas que persistem mesmo após sucessivas tentativas com medicamentos e psicoterapia.
Apesar dos resultados expressivos, o Dr. Cesar Cimonari de Almeida ressalta que o tratamento não representa uma cura milagrosa nem substitui o acompanhamento multiprofissional. A indicação é restrita a casos de alta complexidade, onde a falha das abordagens tradicionais impacta severamente a qualidade de vida do paciente.
A segurança e a eficácia da técnica são sustentadas por diretrizes globais da International Parkinson and Movement Disorder Society, Congress of Neurological Surgeons e pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, além de publicações em periódicos como The New England Journal of Medicine, Lancet Neurology, Nature Reviews Neurology e Journal of Neurosurgery.
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