PODER E POLÍTICA

A primeira regra para ser presidente do Brasil que muitos esquecem

Mascote Pilili representando a urna eletrônica do TSE com a Ministra Cármen Lúcia.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lançou o Pilili, mascote que representa a urna eletrônica. A Ministra Cármen Lúcia participou do evento Metrópoles.

Análise histórica revela a importância de vencer no próprio estado para alavancar candidaturas presidenciais. Candidatos com histórico de vitórias locais tendem a consolidar seu apoio nacional. Entenda os padrões.

O primeiro passo crucial para qualquer aspirante à Presidência da República é fortalecer sua base eleitoral em casa, ou seja, vencer no próprio estado. Essa é uma lição que a história política brasileira ensina repetidamente: quem não obtém sucesso em sua região de origem encontra grande dificuldade em conquistar a confiança nacional. Essa dinâmica se observa desde a Proclamação da República em 1889, um evento que pegou muitos brasileiros de surpresa no Rio de Janeiro, especialmente considerando a proximidade do marechal Deodoro da Fonseca com o imperador deposto, Dom Pedro II. A primeira eleição presidencial, realizada de forma indireta pelo Congresso Constituinte em 25 de fevereiro de 1891, foi vencida por Deodoro da Fonseca, um alagoano. Ele superou o paulista Prudente de Moraes com 129 votos contra 97. Contudo, na primeira eleição direta para presidente em 1894, o paulista Prudente de Moraes saiu vitorioso. Naquela era, o domínio oligárquico e o voto de cabresto eram práticas comuns que favoreciam os candidatos governistas na maioria das províncias. Em 1930, Getúlio Vargas, do Rio Grande do Sul, venceu em seu estado, mas perdeu para o paulista Júlio Prestes na maior parte do país. Diante da recusa em aceitar os resultados, Getúlio ascendeu ao poder por meio de um golpe político-militar, instaurando uma ditadura que durou até 1945, quando foi derrubado por outro golpe. Vargas retornou em 1950 como presidente eleito, mas encerrou seu mandato tragicamente em 1954 com um tiro, para evitar uma nova deposição. Seu sucessor foi o mineiro Juscelino Kubitschek, que enfrentou duas revoltas militares. Em seguida, Jânio Quadros, de Mato Grosso do Sul, renunciou após apenas seis meses. João Goulart, do Rio Grande do Sul, o substituiu, mas foi deposto pelo golpe militar de 1964, que deu início a um período de 21 anos de ditadura. A primeira eleição direta pós-ditadura militar foi vencida por Fernando Collor, de Alagoas. Em seu estado, ele obteve uma vitória esmagadora no segundo turno contra Lula, com 73,89% dos votos. Fernando Henrique Cardoso, embora carioca de nascimento, construiu sua carreira política e acadêmica em São Paulo e foi reeleito presidente consecutivamente, vencendo tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo. Lula, apesar de ter sua carreira política consolidada em São Paulo, venceu em Pernambuco, seu estado natal, em todas as eleições presidenciais que disputou. Dilma Rousseff, nascida em Belo Horizonte, saiu vitoriosa em Minas Gerais nas eleições presidenciais de 2010 e 2014. O paulista Jair Bolsonaro foi eleito presidente em 2018 com expressivas votações em São Paulo (67,97%) e no Rio de Janeiro (67,95%), estados onde já havia construído carreira política. No entanto, em 2022, seus percentuais nesses locais caíram para 55,24% em São Paulo e 56,53% no Rio. A perspectiva para Flávio Bolsonaro, que concorrerá nas próximas eleições, é de obter menos votos que seu pai nesses estados, uma preocupação que o aflige. Atualmente, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, não demonstra grande interesse em apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência. Da mesma forma, Eduardo Paes, um dos líderes nas pesquisas para o governo do Rio e apoiador de Lula, também não seria um aliado. Flávio Bolsonaro enfrenta, portanto, a ausência de palanques fortes no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, o terceiro maior colégio eleitoral do país. No Nordeste, a popularidade de Lula permanece alta, com vitórias consolidadas.

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