DECISÃO HISTÓRICA
Voo Rio-Paris que matou 228 pessoas: Tribunal de Apelação condena Airbus e Air France por homicídio culposo
Após quase duas décadas, fabricante Airbus e companhia Air France são condenadas por homicídio culposo corporativo no caso do voo AF447. Multas máximas foram aplicadas.
O Tribunal de Apelação de Paris condenou a fabricante Airbus e a companhia aérea Air France por homicídio culposo corporativo no caso do voo AF447. A decisão, proferida nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026, refere-se à queda da aeronave que fazia a rota Rio de Janeiro-Paris em 1º de junho de 2009, resultando na morte de todos os 228 passageiros e tripulantes a bordo.
As empresas foram sentenciadas a pagar a multa máxima prevista em lei, de € 225 mil cada – aproximadamente R$ 1,3 milhão –, encerrando uma disputa judicial que se estendeu por quase duas décadas. A condenação nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026, representa uma mudança significativa em relação ao veredito de primeira instância de abril de 2023, que havia absolvido as empresas, apesar de reconhecer a existência de negligência e imprudência.
As investigações conduzidas pelo Escritório de Investigações e Análises da França (BEA) apontaram que a tragédia foi provocada por uma combinação de falhas técnicas e reações inadequadas da tripulação. O estopim do acidente foi o congelamento dos sensores de velocidade, conhecidos como sondas Pitot, enquanto o Airbus A330 atravessava uma zona de tempestades sobre o Oceano Atlântico. Com a perda temporária de dados de velocidade, o piloto automático foi desligado. Os pilotos, sob forte pressão e diante de indicações contraditórias nos instrumentos de bordo, não conseguiram retomar o controle de forma adequada.
A manobra de puxar o nariz da aeronave para cima levou o avião a um estol aerodinâmico, atingindo o oceano em cerca de três minutos e meio. Durante o novo julgamento, iniciado no segundo semestre de 2025, o Ministério Público francês alterou sua posição e passou a defender a responsabilização criminal das companhias. Os promotores argumentaram que a Airbus foi lenta em reagir ao aumento de incidentes com os sensores e que a Air France não forneceu treinamento adequado para que os pilotos soubessem lidar com a perda de sustentação em altas altitudes.
O desastre do voo AF447 é considerado um dos marcos da aviação moderna por ter provocado reformas globais nos protocolos de treinamento e nos sistemas de monitoramento de aeronaves. Embora as multas financeiras sejam vistas como simbólicas diante da receita das corporações, as associações de familiares das vítimas destacaram que a condenação é o reconhecimento oficial do sofrimento e das responsabilidades pelo acidente, honrando a memória e a dignidade dos que perderam suas vidas. A Airbus declarou que apresentará recurso ao Tribunal de Cassação.
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