PERIGO OCULTO
Fogos de artifício causam convulsões e risco de morte em pets, alerta veterinária
Audicão aguçada de cães e gatos os torna vulneráveis ao barulho. Vet alerta para riscos de fuga, traumas e até óbito em animais com comorbidades.
Festas juninas e a Copa do Mundo frequentemente trazem comemorações e reuniões familiares. No entanto, para muitos tutores de animais de estimação, o período também gera apreensão. O barulho estrondoso dos fogos de artifício pode desencadear uma série de problemas de saúde em pets e, em casos mais graves, levar à morte de animais que já possuam alguma comorbidade.
A médica veterinária Tabita Freire explica que cães e gatos possuem uma audição extremamente sensível, tornando ruídos intensos uma fonte de sofrimento para eles. Em cães, essa audição é aproximadamente duas vezes mais aguçada que a humana, enquanto em gatos, o grau é ainda maior, cerca de quatro a cinco vezes.
Um fator que agrava a reação dos animais é o caráter imprevisível dos fogos. Além do estampido, o clarão das explosões pode intensificar o medo e a ansiedade. “Aquela claridade repentina também assusta, porque eles não entendem o que está acontecendo, não se preparam para aquilo, simplesmente surge”, detalha a especialista.
Alguns animais, segundo a veterinária, possuem predisposição genética para desenvolver fobias e quadros de ansiedade. O risco de fuga é uma das maiores preocupações nesses períodos. Eles podem pular muros, rasgar telas ou tentar escapar por qualquer via disponível. Animais presos podem se enforcar na própria coleira. O risco de morte é mais comum por atropelamento durante a fuga e em animais idosos e cardiopatas.
Além das fugas, o barulho pode provocar crises de pânico, taquicardia, apneia, salivação excessiva e perda do controle da bexiga. Em situações mais graves, o quadro pode evoluir para convulsões, especialmente em animais idosos ou com epilepsia preexistente.
Há também a questão dos traumas físicos. Em desespero, os animais podem se machucar, resultando em fraturas, lacerações de pele ou quedas de altura. Os riscos associados a essas reações são muitos.
Para minimizar o sofrimento, a principal orientação é a prevenção. Tabita recomenda preparar o ambiente antes das comemorações, fechando portas e janelas, deixando a televisão ligada em volume mais alto para abafar ruídos e disponibilizando um local seguro para o pet se abrigar. Manter a rotina dos animais é crucial; para cães, os passeios devem ser realizados antes dos horários de maior movimentação e queima de fogos.
“E em relação ao momento exato dos fogos é melhor agir naturalmente, manter a calma, deixar ele se aproximar, não deixar o animalzinho amarrado, e não forçar o contato. A gente, no instinto protetor, quer pegar, botar no colo. Não, não faz isso. Deixa que ele venha até você”, orienta a veterinária.
Filhotes e idosos são particularmente vulneráveis. Os filhotes têm o sistema nervoso ainda imaturo, enquanto os idosos frequentemente apresentam doenças associadas, como cardiopatias, disfunção cognitiva (semelhante ao Alzheimer humano), hipertensão ou problemas renais, que podem se agravar com o estresse dos fogos.
A especialista relata já ter atendido pacientes com complicações graves, incluindo convulsões, edema pulmonar, arritmias severas e até ruptura de traqueia.
Quando procurar ajuda
Para animais que reagem intensamente aos fogos, o uso preventivo de medicamentos pode ser indicado, sempre sob orientação veterinária. O tutor pode e deve conversar com o veterinário para solicitar a medicação dias antes e depois do período de festas.
Em gatos, os sinais de estresse são mais sutis: podem se esconder, ter pupilas dilatadas, apresentar agressividade incomum ou mudanças repentinas de comportamento. Um animal que se torna subitamente muito apegado ou, ao contrário, se afasta sem motivo, pode estar demonstrando ansiedade.
Já nos cães, são comuns tremores, orelhas baixas, rabo entre as pernas, inquietação e busca por esconderijos. Latidos desesperados e salivação excessiva também são sinais de alerta. Em gatos, miados que parecem uivos desesperados indicam sofrimento intenso.
O tutor deve procurar atendimento veterinário de urgência se o animal apresentar dificuldade para respirar, língua arroxeada, perda de força, desorientação ou convulsões. “Convulsão de qualquer espécie já é para correr para o hospital. Convulsão não espera em casa. Mas se perceber que ele está ficando fraco, que ele não está respondendo mais aos seus comandos, que ele está estranhando o ambiente, corra com ele para o hospital”, reforça a médica veterinária.
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