DECISÃO DO SENADO

SOGORN repudia decisão do Senado que dificulta aborto legal para crianças vítimas de estupro

Criança em situação de vulnerabilidade, símbolo de violência sexual.
Imagem ilustrativa de criança em situação de vulnerabilidade.

Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio Grande do Norte (SOGORN) alerta que medida pode criar obstáculos ao acesso à interrupção legal da gravidez em casos previstos em lei e fragiliza rede de acolhimento.

A Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio Grande do Norte (SOGORN) divulgou, nesta terça-feira, 09/06/2026, uma nota de repúdio à suspensão da Resolução nº 258/2024 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). A medida, tomada pelo Senado Federal, estabelecia diretrizes para o atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.

A entidade médica avalia que a decisão pode gerar entraves significativos para o acesso à interrupção legal da gravidez, especialmente em casos de estupro, risco à vida da gestante ou anencefalia fetal, procedimentos já amparados pelo artigo 128 do Código Penal. Além disso, a SOGORN argumenta que a ausência de diretrizes claras gera insegurança para os profissionais de saúde e enfraquece a rede de apoio às vítimas.

Segundo a SOGORN, a resolução suspendida apenas sistematizava leis e orientações já existentes, uniformizando o fluxo de atendimento em todo o território nacional. A associação ressalta que a normativa era crucial para assegurar um acolhimento humanizado, evitando a revitimização de crianças e adolescentes durante o acompanhamento nos serviços de saúde e pela rede de proteção.

A entidade critica a celeridade com que o projeto foi aprovado, considerando que a discussão ocorreu sem o diálogo necessário com setores médicos e a sociedade civil. “A suspensão da normativa pode desencorajar a busca por ajuda em serviços especializados, fragilizando a rede de proteção em um cenário de aumento das violências contra este segmento”, afirma o documento.

A SOGORN reforça que o atendimento integral, humanizado e rápido às vítimas de violência sexual é um dever ético da medicina e um compromisso com os direitos humanos. “Acesso à saúde para essas vítimas não pode ser interrompido ou condicionado a procedimentos que agravem o trauma sofrido”, conclui a nota.

A associação também defende que debates sobre questões clínicas, éticas e jurídicas envolvendo infância e adolescência incluam a participação técnica de entidades médicas e organizações de proteção à infância. Ao final, a SOGORN reafirma seu compromisso com a assistência baseada em evidências científicas e na legislação brasileira, com o lema “Criança não é mãe”.

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