MINISTRO NA MIRA
Rogério Marinho aciona Comissão de Ética contra Mauro Vieira por publicação do Itamaraty
Senador Rogério Marinho protocolou representação contra Mauro Vieira por postagem do Ministério das Relações Exteriores. Decisão questiona uso de canais oficiais para manifestação com teor político-partidário.
O senador Rogério Marinho (PL-RN) protocolou uma representação na Comissão de Ética da Presidência da República pedindo a abertura de procedimento para apurar a conduta do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A iniciativa questiona uma publicação feita pelo Ministério das Relações Exteriores em um canal oficial da pasta, considerada pelo parlamentar como de caráter político-partidário.
A representação foi motivada por uma postagem divulgada pelo Itamaraty em 24 de junho, na qual o ministério utilizou a expressão “traidores da Pátria” ao comentar o anúncio de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A decisão de acionar a Comissão de Ética, tomada nesta terça-feira (30), busca verificar se a conduta do ministro é compatível com os deveres de integridade, moralidade e decoro exigidos pela Alta Administração Federal.
No documento, Rogério Marinho sustenta que a manifestação é incompatível com a atuação institucional do Ministério das Relações Exteriores, órgão responsável pela representação do Estado brasileiro perante a comunidade internacional. Para o senador, a comunicação oficial da pasta deve pautar-se por moderação, sobriedade e profissionalismo diplomático, preservando a credibilidade das instituições públicas perante a sociedade.
O líder da oposição no Senado argumenta que o uso da estrutura pública para manifestações desse tipo pode contrariar deveres previstos no Código de Conduta da Alta Administração Federal, como os princípios da integridade, moralidade, clareza de posições e decoro. A representação solicita que a Comissão de Ética avalie a compatibilidade da conduta do ministro com os princípios da impessoalidade e da neutralidade institucional.
Em um dos trechos do documento, Rogério Marinho ressalta que a utilização dos canais oficiais do Ministério para classificar agentes políticos brasileiros como “traidores da Pátria” adota uma linguagem incompatível com a tradição institucional do Itamaraty, aproximando a comunicação oficial de um discurso de disputa político-partidária. A apuração é considerada necessária para assegurar que os canais públicos sejam utilizados em conformidade com os princípios constitucionais da Administração Pública.
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