Léo Pinheiro apresentará agenda e documentos para provar acusações contra Lula
COM CARTAS NA MANGA, EMPRESÁRIO LEO PINHEIRO VAI MOSTRAR AGENDA DE ENCONTROS E VIAGENS AO GUARUJÁ
Também um relatório do MPF identificou que dois carros registrados em nome do Instituto Lula fizeram pelo menos seis viagens, entre 2012 e 2014, de São Bernardo do Campo ao Guarujá, onde fica o Edifício Solaris. Procuradores obtiveram informações do sistema automático de pagamento de pedágio em rodovias (BR-050 e BR-101 e Rodovia dos Imigrantes) que ligam os municípios do ABC ao litoral paulista. Na avaliação de investigadores da Lava-Jato, o empresário demonstrou deslocamentos e encontros que teve com Lula.
— Ele (Léo Pinheiro) quer demonstrar os deslocamentos que teve para os encontros, as reuniões que teve com Lula. Isso não confirma o conteúdo da conversa, mas sim que houve a reunião. Coloca todos no mesmo local — afirmou ao GLOBO uma fonte ligada às investigações. — A dificuldade é sempre saber o conteúdo da reunião. Trabalhamos com eventos posteriores ou decisões que se tornam públicas — explica.
TELEFONEMAS PARA TESOUREIRO
No conjunto de provas também consta uma lista com 163 telefonemas entre Léo Pinheiro e Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula e um dos homens mais próximos ao ex-presidente. Os telefonemas foram feitos entre agosto de 2013 até meados de 2014. Mais: outras 31 ligações para Clara Ant, funcionária do instituto, e mais 24 telefonemas entre o empresário e José de Filipi, ex-tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff em 2010.
Além de confirmar que Lula era o dono do tríplex no Edifício Solaris, o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro afirmou em depoimento ao juiz Sérgio Moro na última quinta-feira que o petista e sua mulher, Marisa Letícia, morta em fevereiro, pretendiam passar as festas de fim do ano de 2014 no apartamento.
Léo Pinheiro declarou que, em janeiro de 2014, foi procurado por Lula porque o ex-presidente queria fazer uma visita ao apartamento junto com a mulher. De acordo com o ex-presidente da OAS, a reforma foi aprovada pelo casal e já estava adiantada. Em uma segunda visita ao imóvel, dona Marisa pediu que as obras ficassem prontas antes do fim do ano.
— Dona Marisa me fez um pedido. Disse: “Nós gostaríamos de passar as festas de fim de ano aqui no apartamento. Teria condições de estar pronto?”. Eu disse: “Olha, pode ficar certa que, antes disso, nós vamos entregar tudo pronto” — declarou o empresário no depoimento.
Preso duas vezes na Lava-Jato, a última em setembro de 2016 até hoje, o empresário vinha optando pelo silêncio, numa espécie de pacto de preservação a Lula. Seguiria a mesma estratégia da Odebrecht até o momento em que os executivos de outras empresas quebraram o silêncio.
O advogado do ex-presidente, Cristiano Zanin Martins, contestou os documentos em nota: “Desde quando um e-mail de agenda prova a ocorrência de um encontro e, sobretudo, o que poderia ter sido discutido no suposto encontro? Léo Pinheiro não tem nenhuma prova contra Lula, porque ele não cometeu qualquer ato ilícito. Ele (o empresário) tem uma versão negociada para agradar os procuradores para ter a sua delação premiada — negociada desde 2016 — finalmente aceita, para que possa deixar a prisão ou obter benefícios”.
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