CELULAR E IDOSOS
UFMG aponta que uso excessivo de celular pode causar insônia e ansiedade em idosos
Estudo da Universidade Federal de Minas Gerais analisou 20 trabalhos científicos e detectou correlação entre tempo de tela e transtornos. Nomofobia também é um fator de risco.
Uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) associou o uso prolongado de celulares a transtornos de saúde mental, como insônia e ansiedade, em pessoas com mais de 60 anos. O estudo, que analisou 20 artigos científicos relevantes, também identificou a nomofobia – o medo de ficar desconectado – como uma preocupação crescente nesta faixa etária. A análise, conduzida ao longo de 11 anos e envolvendo 50 mil idosos, com 11 mil deles no Brasil, revelou que o excesso de tempo em dispositivos móveis pode impactar negativamente a qualidade de vida e o bem-estar dos participantes.
A crescente imersão no universo digital entre a população idosa, que vivenciou a transição do analógico para o digital, traz consigo tanto benefícios quanto desafios. Muitos, como a professora aposentada Iara Pereira, encontram no celular, tablet e notebook ferramentas para estudo e lazer, utilizando-as para aprender novas habilidades como macramê, crochê e tricô. No entanto, a fronteira entre o uso proveitoso e o excessivo torna-se tênue.
O aposentado Sergio Pimentel destaca a importância da cautela ao navegar na internet, especialmente em relação a links e informações duvidosas. Marlene Mattos Fernandes, também aposentada, confessa que o uso do celular se estende por muitas horas, a ponto de perder a noção do tempo e de não realizar outras atividades planejadas.
Renata Maria Silva Santos, pesquisadora do Instituto Nacional de Ciências e Tecnologia/UFMG, explicou que a nomofobia se manifesta como um “desconforto generalizado, um medo de ficar desconectado do celular, seja por falta de bateria, por falta de internet”. Essa dependência pode gerar consequências como maior dificuldade em lidar com notícias falsas e maior exposição a golpes, segundo a pesquisadora.
A pesquisa aponta que o uso excessivo de telas em idosos afeta a qualidade do sono. Ivone, 80 anos, relatou que, mesmo acordando cedo, passa horas no celular, perdendo o horário de atividades físicas como a hidroginástica, embora permaneça ativa socialmente em grupos de ginástica. Apesar de encontrar diversão em vídeos, notícias e receitas, o tempo dedicado à tela impacta sua rotina.
A especialista ressalta que a quantidade de tempo em frente às telas é relevante, mas a qualidade do conteúdo consumido e o impacto emocional gerado são cruciais. É fundamental observar se o uso provoca ansiedade, angústia ou isolamento, em vez de estímulos positivos como aprendizado e conexão social. A terapeuta ocupacional Renata Maria Silva Santos enfatiza a necessidade de desenvolver estratégias e de a família oferecer maior atenção e apoio no letramento digital dessa população, aprimorando o cuidado e o aporte em relação ao mundo digital para essa faixa etária.
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