SAÚDE EM GUERRA

Secretária de Saúde investigada pela PF ataca Secretário Estadual de Saúde

Morgana Dantas em frente a um prédio governamental, com Alexandre Motta ao fundo.
Secretária de Saúde de Mossoró, Morgana Dantas, rebate críticas do Secretário Estadual de Saúde, Alexandre Motta.

Morgana Dantas rebate críticas de Alexandre Motta em meio a investigação da PF. O Hospital Municipal Francisca Gonçalves da Silva e contratos de medicamentos são o centro do conflito.

A secretária municipal de Saúde de Mossoró, Morgana Dantas, reagiu nesta quinta-feira, 11/06/2026, às críticas feitas pelo secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, sobre a estrutura e o funcionamento do Hospital Municipal Francisca Gonçalves da Silva. A manifestação ocorre enquanto a gestora enfrenta questionamentos decorrentes da Operação Mederi, deflagrada pela Polícia Federal para apurar supostos desvios de recursos públicos na saúde do município.

A secretária municipal publicou vídeo nas redes sociais elevando o tom contra o titular da Sesap, Alexandre Motta, após ele divulgar um vídeo em que voltou a questionar a unidade de saúde inaugurada pela gestão do ex-prefeito Allyson Bezerra (União Brasil), classificando-a como policlínica e não como hospital de fato. A reação da secretária, que enfrenta questionamentos sobre contratos e pagamentos a empresas fornecedoras de medicamentos durante sua gestão como ordenadora de despesas do Fundo Municipal de Saúde, concentrou-se em ataques ao secretário estadual.

No vídeo de resposta, Morgana Dantas classificou Alexandre Motta como o “pior secretário de Saúde da história do Rio Grande do Norte” e acusou o Governo do Estado de utilizar o tema politicamente, enquanto, segundo ela, o caos no Tarcísio Maia persiste e leitos são retidos para sobrecarregar as UPAs. Ela alegou que o secretário gravou vídeo para mentir sobre o hospital municipal e associou as críticas aos problemas enfrentados pela rede estadual.

Ao longo de sua resposta, a secretária prosseguiu com críticas em tom pessoal ao secretário estadual e ao Governo do Estado. Contudo, não respondeu diretamente aos questionamentos sobre a ausência de funcionamento noturno e nos fins de semana, nem sobre a inexistência de leitos de UTI na unidade municipal.

As declarações de Morgana Dantas foram motivadas por um novo vídeo publicado por Alexandre Motta. Segundo o titular da Sesap, a unidade municipal realiza cirurgias eletivas de baixa complexidade em pacientes previamente selecionados e não dispõe de estrutura para atender casos mais graves, como a ausência de UTI e a necessidade de encaminhamento de pacientes com intercorrências para o Hospital Regional Tarcísio Maia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece que hospitais devem oferecer assistência contínua, com atendimento de urgência e emergência 24 horas, leitos de internação e suporte intensivo.

A Operação Mederi investiga supostas irregularidades em contratos de fornecimento de medicamentos para a rede municipal de saúde de Mossoró. O desembargador federal Rogério Fialho destacou que Morgana Dantas, como ordenadora de despesas do Fundo Municipal de Saúde, era responsável pela homologação de licitações e autorização de pagamentos. Empresas como Dismed Distribuidora e Drogaria Mais Saúde receberam milhões em recursos públicos sob análise.

Fialho observou que a homologação dos contratos por Morgana Dantas “ganha relevância” diante de indícios de entrega parcial de medicamentos e superfaturamento. Embora a secretária não apareça diretamente em diálogos interceptados, os elementos indicam sua inserção nas “engrenagens que viabilizam o sucesso da empreitada criminosa”. Morgana Dantas nega irregularidades, e as investigações seguem em andamento sem condenação judicial até o momento.

Com informações do Diário do RN/ Fernanda Sabino

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