AVANÇO NA SAÚDE
Retatrutida: Nova medicação para obesidade pode reduzir peso em até 28% e superar cirurgia bariátrica
Pesquisa publicada na Lancet aponta para eficácia inédita da retatrutida, que age em três hormônios e pode tratar também apneia do sono e osteoartrite. Medicamento, ainda sem aprovação sanitária, já circula ilegalmente.
Uma nova pesquisa publicada na Lancet, uma das mais respeitadas revistas científicas globais, revelou que a retatrutida pode proporcionar uma perda de peso de até 28% em pacientes com diabetes tipo 2. Os resultados são comparáveis aos de uma cirurgia bariátrica e prometem redefinir o cenário do tratamento para a obesidade. Os dados reforçam descobertas preliminares da Eli Lilly, empresa responsável pelo desenvolvimento da substância.
A substância, ainda sem aprovação sanitária no Brasil, também demonstrou potencial para o tratamento de outras duas condições de saúde: apneia do sono e osteoartrite no joelho. O estudo foi apresentado neste sábado, 06 de junho de 2026, durante o congresso da Associação Americana de Diabetes (ADA), um dos maiores eventos mundiais dedicados à doença, realizado nos Estados Unidos.
A retatrutida pertence a uma nova geração de medicamentos injetáveis para perda de peso, conhecida como canetas emagrecedoras. Diferentemente de outras substâncias que atuam em um ou dois hormônios, a retatrutida possui uma "tripla ação", agindo simultaneamente em três hormônios: GLP-1, GIP e glucagon. Este último, em particular, pode potencializar o gasto calórico do organismo, mesmo em repouso.
No estudo com 930 adultos com diabetes tipo 2, a dose mais alta da retatrutida levou a uma perda média de 28,3% do peso corporal ao longo de 80 semanas, superando em quatro vezes o resultado obtido pelo grupo placebo. Essa expressiva redução de peso coloca a retatrutida como uma alternativa promissora à cirurgia bariátrica, além de melhorar significativamente o controle glicêmico, com queda no nível de açúcar no sangue mais que o dobro da observada no grupo controle.
Além do impacto na obesidade e no diabetes, a retatrutida apresentou resultados notáveis em outras frentes. Em pacientes com obesidade, a medicação reduziu em 60,6% a gravidade da apneia do sono, distúrbio que aumenta o risco cardíaco. A substância também aliviou em até 73,1% a dor associada à osteoartrite no joelho, doença que afeta milhões de pessoas.
Apesar dos resultados promissores, a retatrutida ainda necessita de análises aprofundadas de segurança e aprovação formal das agências regulatórias, como a Anvisa. Contudo, um alerta preocupante surgiu durante a apresentação do estudo: a substância já estaria circulando ilegalmente em alguns mercados. No Paraguai, empresas anunciaram a produção de canetas à base de retatrutida antes mesmo da divulgação dos dados oficiais.
A Receita Federal informa que tem intensificado as apreensões de produtos ilegais na fronteira com o Paraguai. Agentes atuam na fiscalização em Foz do Iguaçu, coibindo a entrada de medicamentos proibidos no Brasil. O mercado paralelo de canetas emagrecedoras tem gerado preocupação às autoridades, que reforçam os riscos à saúde pública. O valor apreendido na fronteira nos primeiros três meses de 2026 já ultrapassou o montante de todo o ano de 2025, totalizando mais de R$ 11 milhões.
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