TESTE INOVADOR

Novo teste de colesterol apoB se mostra mais eficaz que o convencional, aponta estudo

Ilustração científica de um vaso sanguíneo com acúmulo de partículas de colesterol nas paredes arteriais.
Ilustração de vaso sanguíneo destacando a presença de gordura acumulada.

Exame que mede partículas nocivas no sangue pode prevenir mais ataques cardíacos e derrames que o método atual, com potencial de custo-benefício vantajoso.

Um novo estudo publicado na revista científica JAMA sugere que testes de colesterol baseados na medição de partículas nocivas no sangue podem ser mais eficazes do que o método convencional, utilizado por milhões de pessoas. A pesquisa, conduzida por cientistas da Northwestern Medicine, em Illinois, nos Estados Unidos, aponta o teste apoB como uma ferramenta superior ao monitoramento do LDL ou não-HDL para pacientes que necessitam de tratamento intensivo para doenças cardíacas.

A nova abordagem promete maior precisão na prevenção de ataques cardíacos e derrames, além de apresentar um custo-benefício potencialmente mais vantajoso para sistemas de saúde públicos e privados.

O método convencional para avaliar riscos cardiovasculares baseia-se nas taxas de colesterol LDL e não-HDL. Embora esses exames indiquem a quantidade de colesterol, eles não identificam os riscos reais do paciente com a mesma granularidade do teste apoB. Este, por sua vez, quantifica as partículas nocivas de colesterol no sangue, que têm potencial de se acumular nas paredes arteriais e formar placas de gordura.

Ciaran Kohli-Lynch, principal autor do estudo, destaca que o teste apoB pode se consolidar como um indicador de risco cardiovascular mais acurado. "Descobrimos que testar a apoB para intensificar a medicação para baixar o colesterol evitaria mais ataques cardíacos e derrames do que a prática atual, e que esses benefícios para a saúde seriam alcançados a um custo mais econômico para os planos de saúde dos EUA", afirmou ao ScienceDaily.

Para avaliar a eficácia e o custo-benefício do novo teste, os pesquisadores desenvolveram uma simulação computacional. O modelo acompanhou a trajetória de vida de 250 mil adultos norte-americanos elegíveis para o uso de estatinas. Foram comparadas três estratégias de intensificação de tratamento de colesterol: metas baseadas em LDL (inferior a 100 mg/dL), não-HDL (inferior a 118 mg/dL) e apoB (inferior a 78,7 mg/dL).

Os resultados indicaram que o tratamento guiado pelo teste apoB foi o mais eficaz, com melhor desempenho na prevenção de infartos e proporcionando maior expectativa de vida aos participantes, a um custo menor para os planos de saúde. Apesar dos benefícios demonstrados, o uso rotineiro do apoB ainda não é uma realidade nos consultórios, em parte devido ao custo adicional de um exame de sangue a mais em relação ao painel de colesterol padrão.

Contudo, os pesquisadores ressaltam a crescente necessidade de testes mais precisos e eficazes, especialmente com a tendência de iniciar tratamentos de colesterol em pacientes cada vez mais jovens. "Isso significa que é cada vez mais importante identificar com precisão quem se beneficiaria mais com um tratamento intensivo", conclui Kohli-Lynch.

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