Procedimento polêmico

Mulher que descobriu bebê vivo após curetagem luta pela gestação | G1

Mulher que descobriu bebê vivo após curetagem luta pela gestação | G1
A continuidade da gravidez foi descoberta em meados de agosto

Grávida descobre que bebê está vivo 1 mês após médico falar de aborto

"Tô vivendo uma situação muito difícil e eu não quero tirar a vida do meu bebê. Enquanto há vida, há esperança, eu vou ter essa gestação até quando Deus permitir viver."

É assim que uma moradora de Sumaré (SP) resume o drama que enfrenta após descobrir que continuava grávida um mês depois de receber um diagnóstico de aborto espontâneo e ser submetida a uma curetagem no Hospital Estadual de Sumaré (HES).

A curetagem uterina é um procedimento cirúrgico que consiste na raspagem do útero com um instrumento próprio. Esse procedimento é realizado para extrair os restos de placenta que permanecem no útero após o abortamento.

A paciente afirma que o procedimento teria perfurado a bolsa, deixando o feto sem líquido amniótico e colocando a vida de ambos em risco. Ela afirma que recusou a interrupção da gestação.

Em nota, o HES lamentou o ocorrido e informou que abriu uma sindicância para apurar a conduta da equipe relacionada ao atendimento da paciente. Leia o posicionamento na íntegra abaixo.

Surpresa

A continuidade da gravidez foi descoberta em meados de agosto, quando a mulher precisou fazer um teste de gravidez antes de tomar um anticoncepcional injetável.

O exame de sangue deu positivo. Em seguida, uma ultrassonografia de urgência identificou batimentos cardíacos fetais de 157 por minuto e peso estimado de 170 gramas, mas apontou ausência total de líquido amniótico.

"Você pensar que perdeu um bebê e saber que o bebê ainda está dentro de você. [...] Isso não tem explicação", desabafou a denunciante, que preferiu não ser identificada.

Diagnóstico sem ultrassom

Segundo a paciente, a gestação transcorria sem intercorrências até julho. O atendimento que terminou no diagnóstico equivocado ocorreu da seguinte forma:

- Em junho, um exame no Hospital Municipal de Paulínia (SP) apontou gestação normal, com embrião de seis semanas e cinco dias;

- Em 12 de julho, ela acordou com sangramento, sem dor, e procurou o Hospital Estadual de Sumaré;

- Uma médica fez apenas o exame físico de toque e atestou o aborto espontâneo;

- No mesmo dia, a paciente foi submetida à curetagem (procedimento para retirada de material do interior do útero).

'Pediu perdão'

Após descobrir que o feto continuava em desenvolvimento, a paciente relata que profissionais da equipe médica do Hospital Estadual de Sumaré disseram, segundo ela, que a curetagem pode ter provocado a perda do líquido amniótico.

"Me falaram, me pediu perdão, mas eu acho que perdão e desculpa não vai mudar o cenário que eu estou vivendo hoje. [...] Foi sugerido pra mim de eu poder interromper a gestação por falta desse líquido", disse.

O que diz o hospital

"O Hospital Estadual de Sumaré (HES) lamenta o ocorrido e informa que abriu uma sindicância para apurar a conduta da equipe relacionada ao atendimento prestado à paciente. Se constatadas irregularidades, medidas cabíveis serão adotadas.

O HES reforça que acolheu a paciente e seus familiares, prestando todo o apoio e os esclarecimentos necessários.

O HES reafirma seu compromisso com a oferta de assistência qualificada, humanizada e segura à população".

Fonte: Portal G1

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