VAPE É PERIGOSO

Estudo aponta danos do vape a órgãos e acelera envelhecimento

Ratos de laboratório expostos ao vapor de cigarro eletrônico
Estudo da URI aponta danos do vape à saúde

Pesquisa com animais da URI em Erechim detecta alterações em coração, rins e aorta. Especialistas alertam para riscos à saúde e dependência em jovens.

Pesquisa conduzida por estudantes de Medicina da Universidade Regional Integrada (URI), em Erechim, no Norte do RS, identificou alterações significativas em diferentes órgãos de ratos de laboratório após a exposição ao vapor de cigarros eletrônicos. Os resultados, embora preliminares e ainda não publicados, indicam que o vape não é inofensivo, mesmo em doses consideradas baixas e por curtos períodos.

Os achados, que integram projetos de conclusão de curso e da pós-graduação em Atenção Integral à Saúde da URI, reforçam a preocupação com os efeitos do cigarro eletrônico no organismo. A equipe de pesquisa utilizou 30 ratos jovens, divididos em um grupo de controle e outro exposto ao vapor por 30 dias, duas vezes ao dia. A iniciativa foi aprovada por uma comissão de ética para uso de animais.

Ao final do experimento, os animais foram submetidos a eutanásia para análise de órgãos como coração, aorta, rins, próstata, bexiga e cérebro. Exames histológicos, bioquímicos e de função cardíaca revelaram sinais de estresse oxidativo, marcadores inflamatórios e alterações na estrutura e função do músculo cardíaco. Mudanças nos rins, incluindo alterações histológicas e inflamatórias nos glomérulos, também foram observadas, comprometendo a função renal.

A análise da aorta apontou redução do calibre do vaso sanguíneo, o que, segundo os pesquisadores, pode levar a futuras consequências como elevação da pressão arterial e desenvolvimento de doenças ateroscleróticas e infarto agudo do miocárdio. Esses achados reforçam que o uso de vape pode prejudicar o funcionamento de órgãos e acelerar processos de envelhecimento.

Outro ponto de atenção é a alta concentração de nicotina em muitos dispositivos, que aumenta o potencial de dependência. Dados do IBGE revelam que 29,6% dos estudantes brasileiros entre 13 e 17 anos já experimentaram o produto. Um jovem de 22 anos relatou ter sentido falta de ar durante atividades físicas, percebendo um problema de saúde que o levou a interromper o uso após quatro anos.

A equipe de pesquisa trabalha na publicação dos resultados em uma revista internacional até agosto. Segundo a coordenação, o estudo apresenta dados inéditos sobre os efeitos do vape em animais jovens e planeja dar continuidade às investigações com protocolos mais intensos.

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