DECISÃO HISTÓRICA

Conselho Federal de Medicina proíbe uso de PMMA para fins estéticos no Brasil

Conselho Federal de Medicina anuncia proibição do uso estético de PMMA.
Conselho Federal de Medicina (CFM) decide pela proibição do uso estético do PMMA.

A medida, que entra em vigor em breve, restringe a aplicação da substância preenchedora a casos específicos de tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/Aids, priorizando a segurança e a dignidade humana.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) decidiu, na sexta-feira, 29 de maio de 2026, proibir o uso do polimetilmetacrilato (PMMA) para fins estéticos ou reparadores. A decisão visa proteger a saúde e a integridade dos cidadãos frente aos riscos associados ao procedimento. A proibição entra em vigor após a publicação da resolução, prevista para 2 de junho, e se justifica pela necessidade de coibir práticas que coloquem em risco a dignidade e a vida de indivíduos.

A única exceção à proibição será o tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/Aids. Nestes casos, o procedimento deverá ser realizado em unidades de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e seguir rigorosamente os protocolos e diretrizes terapêuticas estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

Segundo o CFM, o presidente do órgão, José Hiran da Silva Gallo, e a relatora da resolução, Graziela Bonin, concederão uma entrevista coletiva no dia 1º de junho para detalhar as novas regras. A resolução completa será publicada na terça-feira, 2 de junho.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já havia recebido, anteriormente, um pedido do CFM para a proibição do PMMA. Utilizado como preenchedor cutâneo, o PMMA é um plástico que, em aplicações estéticas, é injetado em camadas superficiais da pele.

A Anvisa já estabelecia diretrizes rigorosas, como a dosagem estritamente necessária e a exigência de que o procedimento fosse realizado por médicos treinados. O órgão regulador definia locais específicos do corpo para aplicação e a concentração máxima permitida, classificando o produto como de máximo risco para preenchimentos subcutâneos.

Mortes e Riscos Graves

A decisão do CFM ocorre em um contexto de preocupação crescente com os efeitos adversos do PMMA. Na terça-feira, 26 de maio de 2026, uma mulher morreu em São Paulo após um procedimento de preenchimento com PMMA nos glúteos e coxas. Outros casos fatais já foram registrados no Brasil, como o da influenciadora Aline Maria Ferreira da Silva, falecida em julho de 2024. A modelo Andressa Urach também enfrentou risco de morte em 2014 após o uso da substância.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) alerta para reações de curto e longo prazo, incluindo edemas, inflamações, reações alérgicas e formação de granulomas. Em entrevista ao Estadão em 2024, a cirurgiã plástica Marcela Cammarota, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), destacou que a entidade é contra o uso estético do PMMA. Ela explicou que o tamanho das microesferas é crucial; se muito pequenas, o corpo as rejeita, e se muito grandes, causam inflamações. A remoção do PMMA pode ser complexa, exigindo a retirada de tecido e gerando lesões. Doses elevadas podem levar à necrose por compressão de vasos sanguíneos e infecções resistentes a antibióticos.

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