AVANÇOS NA NEUROCIÊNCIA

Células imunes do cérebro revelam potencial protetor contra o Alzheimer

Representação microscópica de células imunes no tecido cerebral
Células imunes cerebrais estudadas em laboratório – Foto: AdobeStock

Pesquisa identifica populações celulares que combatem danos cerebrais, abrindo caminhos para terapias focadas no sistema imunológico

Um mapeamento detalhado das células imunes do cérebro revelou que determinadas unidades passam por transformações capazes de oferecer proteção contra os danos causados pela progressão da doença de Alzheimer. O estudo, publicado na revista científica Nature Genetics, detalha como o sistema de defesa cerebral se adapta ao longo do envelhecimento e durante o agravamento do quadro clínico.

Pesquisadores da Icahn School of Medicine at Mount Sinai examinaram mais de 830 mil células de origem mieloide, incluindo a microglia — principal célula de defesa do cérebro — e macrófagos perivasculares, coletadas do córtex pré-frontal de 1.607 doadores. Essa análise permitiu a identificação de seis subclasses e 13 subtipos celulares, oferecendo um panorama inédito sobre o comportamento do cérebro frente à neurodegeneração.

Entre as descobertas, os cientistas destacaram um subtipo de microglia que se torna mais numeroso conforme a doença avança. Ao contrário de contribuir para a patologia, essas células demonstram uma capacidade elevada de englobar e eliminar materiais nocivos, sugerindo uma função de defesa ativa. Esse estado protetor é sustentado por uma via molecular que envolve as proteínas TREM2, MITF e GPNMB, sendo a sinalização da TREM2 fundamental para o benefício observado em tecidos humanos e modelos de camundongos.

Segundo Donghoon Lee, professor de Genética e Ciências Genômicas e de Psiquiatria na Icahn School of Medicine at Mount Sinai e autor principal do trabalho, o estudo oferece a visão mais clara até o momento sobre a adaptação do sistema imunológico cerebral. Além de elucidar por que variantes de genes como TREM2 e APOE elevam o risco da enfermidade, os resultados apontam para novas estratégias terapêuticas.

A perspectiva atual dos pesquisadores é que futuros tratamentos possam fortalecer essas defesas naturais, diversificando as abordagens que hoje se concentram majoritariamente nas placas de proteína amiloide, um dos principais marcadores do Alzheimer.

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