ALERTA
Anvisa suspende detergente após criança ser internada em Natal
Mãe relata infecção bacteriana generalizada em Maria Clara, de 10 anos, após contato com produto Ypê de lote suspenso; SMS investiga.
Maria Clara, de 10 anos, permanece internada na UPA Pajuçara, zona Norte de Natal, lutando contra uma infecção bacteriana generalizada. A mãe da criança, Tatiana Silva, revelou à TRIBUNA DO NORTE que os graves sintomas começaram na quarta-feira, 6 de maio de 2026, logo após a menina ter contato com um detergente Ypê cujo lote foi posteriormente suspenso pela Anvisa devido ao risco de contaminação por microrganismos. Enquanto a Secretaria de Saúde de Natal (SMS) investiga o caso e ainda não estabelece uma ligação direta, a angústia da família cresce diante do quadro clínico da menina, que inspira cuidados e levanta questionamentos sobre a segurança de produtos de uso diário.
Na quinta-feira, 7 de maio de 2026, apenas um dia após o início dos sintomas de Maria Clara, a Anvisa determinou o recolhimento e suspendeu a comercialização de 24 produtos da Ypê, incluindo lava-louças, lava-roupas líquidos e desinfetantes. A medida preventiva foi tomada em virtude da possível contaminação por microrganismos que poderiam colocar em risco a saúde dos consumidores.
O sofrimento da criança persiste, mesmo com o tratamento intensivo. De acordo com a última atualização da família, Maria Clara continua apresentando coceira, inchaço e o retorno dos sintomas, mesmo após o uso de antibióticos, corticoides e outros medicamentos. A mãe, desesperada, conseguiu a transferência da filha para o Hospital Infantil Varela Santiago, onde se espera uma investigação mais aprofundada para identificar a causa exata da infecção.
“Ela toma o medicamento, mas volta tudo de novo. Está com coceira, inchada, tomando antibiótico e bastante corticoide, mas não está adiantando. O que eu queria era só uma transferência para saber qual é essa bactéria e essa alergia que ela tem”, desabafou Tatiana, expondo a dor de ver a filha sem alívio.
Após uma peregrinação por diversas unidades de saúde, a UPA Pajuçara foi o local onde Maria Clara conseguiu internação. Segundo Tatiana, uma médica informou que os exames indicavam uma alteração relacionada a bactérias e prometeu tentar a transferência. Contudo, a criança permaneceu internada desde a segunda-feira, 11 de maio de 2026, aguardando essa mudança de unidade hospitalar.
“Ela (a médica) disse que estava muito forte e que íamos tratar para ver se o medicamento combatia. Eu perguntei o que aconteceria se não combatesse, e ela disse que poderia dar infecção generalizada. Aí eu fiquei desesperada”, relatou a mãe, revivendo o momento de apreensão.
A SMS informou que a equipe da UPA Pajuçara realiza todos os procedimentos necessários para o acolhimento da paciente. Quanto à transferência, a pasta reforçou que a usuária foi inserida no sistema de regulação, administrado pelo Governo do Estado, para a realização de exames complementares que avaliarão melhor seu quadro clínico.
O início do pesadelo familiar
Tatiana contou que a situação começou de forma súbita. Na quarta-feira, 6 de maio de 2026, o marido buscou Maria Clara na escola após um aviso do diretor. Inicialmente, a menina brincava normalmente em casa. “Depois que ele mandou esse áudio, meu esposo foi buscar ela. Quando ela chegou em casa, ficou normal, brincando. Eram cerca de 8h40 quando ele avisou para irmos buscá-la”, recordou a mãe.
A tranquilidade familiar foi quebrada pouco depois, antes do almoço. “Quando eu disse: ‘Clara, vá lavar as mãos para almoçar’, ela foi lavar. Depois que lavou as mãos, não demorou nem uma hora para ela ficar daquele jeito", descreveu Tatiana Silva, apontando para o instante em que os sintomas começaram a aparecer.
Imediatamente, a família levou a criança para atendimento médico. “Foi aí que tudo começou. Imediatamente fomos para a UPA com ela”, afirmou Tatiana, detalhando a corrida para buscar ajuda.
Nos dias seguintes, Maria Clara passou por diversas unidades de saúde, incluindo a UPA Potengi, o Hospital Belarmina Monte, em São Gonçalo do Amarante, e a pediatria de São Gonçalo. Em todos os atendimentos, a filha recebia medicação, mas os sintomas retornavam assim que o efeito passava. “Nós demos entrada na UPA Potengi quatro vezes. Também fomos ao Hospital Belarmina Monte, em São Gonçalo, e à pediatria de São Gonçalo. Durante esses dias todos, ela tomava adrenalina e antialérgico, era mandada para casa e, quando passava o efeito, voltava tudo de novo”, lamentou a mãe.
Na segunda-feira, 11 de maio de 2026, Tatiana levou Maria Clara à UBS do Jardim Lola, onde recebeu a orientação de procurar outra unidade para novos exames. Foi então que a família retornou à UPA Pajuçara. “No posto, pediram para eu trazer ela para a unidade daqui, e eu trouxe”, explicou.
Lá, novos exames revelaram alterações relacionadas a bactérias. “Quando fizeram os exames, a médica daqui disse que os exames dela deram alteração nas bactérias”, informou Tatiana.
A suspeita sobre o detergente Ypê com numeração final 1 no lote surgiu após Tatiana ser alertada pela nora sobre notícias envolvendo o produto. “Minha nora tinha me avisado: ‘Tatiane, está saindo reportagem sobre isso’. Foi aí que eu já comecei a desconfiar do sabão”, disse a mãe.
Em um dos momentos de crise, Tatiana acionou o Samu. Ao mostrar o detergente à equipe de emergência, recebeu a orientação de retirar o produto de casa. “Quando ela passou mal, eu liguei para o Samu, e eles vieram com urgência. Quando chegaram, eu mostrei o detergente. Um deles disse para eu passar papel filme nele e tirar de dentro de casa”, relatou.
Mesmo com a suspeita, a ligação direta entre o contato com o detergente e a infecção bacteriana de Maria Clara ainda não foi confirmada. “Eu falei para a médica que ela tinha tido contato com o produto. Ela perguntou se eu estava com ele, e eu disse que sim. Ela falou: ‘Pode ser do sabão que tenha contaminado a mão dela, mas vamos tratar’. Depois disse que ela estava com uma bactéria e que passaria um antibiótico”, concluiu Tatiana, aguardando ansiosamente por respostas e pela melhora da filha.
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