SAÚDE PÚBLICA

Anvisa avalia medidas jurídicas contra vídeos de pessoas bebendo detergente, diz ministro

Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, fala em coletiva de imprensa no Palácio do Planalto.
Ministro Alexandre Padilha em coletiva no Palácio do Planalto.

Ministro da Saúde confirma análise jurídica após circulação de vídeos de pessoas ingerindo detergente Ypê; agência combate politização de decisões técnicas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avalia entrar com medidas jurídicas contra vídeos que circulam nas redes sociais e mostram pessoas ingerindo detergente da marca Ypê. A preocupação com a saúde pública e a crescente politização de decisões técnicas impulsionam a análise da agência. A informação foi confirmada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026, destacando a gravidade da situação.

Segundo Padilha, a Anvisa recebeu diversos desses registros audiovisuais e os está analisando cuidadosamente para determinar as ações legais cabíveis. A ingestão de produtos químicos como detergente representa um risco sério e iminente à saúde humana, podendo causar danos severos e irreversíveis.

As declarações do ministro ocorreram durante um evento no Palácio do Planalto, que marcou a sanção do projeto de lei para a criação do Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19. Padilha também abordou a circulação de vídeos, impulsionados por políticos e apoiadores, que incentivam a compra massiva de produtos Ypê e, de forma alarmante, a ingestão do detergente como forma de contestar a decisão da Anvisa.

O ministro lamentou a transformação de uma decisão puramente técnica em um embate de natureza política, enfatizando que “a Anvisa não tem lado partidário”. Ele ainda conectou essa mobilização digital à divulgação de informações sobre doações de proprietários da empresa Ypê à campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, sugerindo uma possível motivação política por trás da desinformação.

A controvérsia teve início após a Anvisa publicar, na quinta-feira, 7 de maio de 2026, a Resolução nº 1.834/2026. A medida suspendia a fabricação e determinava o recolhimento de lotes específicos de lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes da marca Ypê, identificados com numeração final 1. A agência justificou a decisão com base em uma avaliação técnica que apontou irregularidades em etapas cruciais do processo de produção, visando proteger a segurança dos consumidores.

Posteriormente, na sexta-feira, 9 de maio de 2026, a Anvisa reconsiderou e liberou novamente os produtos, após a empresa apresentar um recurso. Contudo, é fundamental ressaltar que a recomendação para que os consumidores evitem utilizar os itens citados na resolução permanece válida até a conclusão definitiva do processo de recolhimento e averiguação. Esta cautela sublinha a seriedade dos riscos associados à ingestão de produtos de limpeza e a importância de aguardar o posicionamento final das autoridades sanitárias.

Com informações da CNN Brasil.

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