GRAVE DISCREPÂNCIA DE PLANO
Documentos revelam que Allyson não construiu hospital em Mossoró; unidade foi planejada como policlínica
Placa e contrato indicam que a obra, hoje Hospital Municipal Francisca Gonçalves da Silva, era originalmente uma policlínica. Investimento superou R$ 10 milhões.
Mossoró, RN – Documentos oficiais revelam que a unidade de saúde em Mossoró, atualmente denominada Hospital Municipal Francisca Gonçalves da Silva, foi licitada, contratada e construída sob o propósito de ser uma policlínica. A descoberta, divulgada nesta sexta-feira, 12 de junho de 2026, pelo Portal Diário do RN, suscita questionamentos sobre a real natureza da unidade e seu impacto na oferta de cuidados de saúde para a população.
O Contrato nº 09/2024, celebrado entre a Prefeitura de Mossoró e a Construtora Proel LTDA., detalha a obra como a “Construção da Policlínica”, a ser erguida na Avenida Francisco Mota, no bairro Alto de São Manoel. O valor inicial do projeto era de R$ 5,3 milhões, mas evoluiu para mais de R$ 10 milhões com aditivos, sem alteração em sua concepção original para um hospital.

A nomenclatura utilizada na placa afixada durante a execução da obra, conforme reportagem do Blog Carol Ribeiro, e no projeto apresentado à Ufersa para a cessão da área, confirmava o propósito de uma policlínica. O então prefeito Allyson Bezerra também se referiu à obra dessa forma em comunicações oficiais no início de sua construção em 2024.
A alteração para Hospital Municipal ocorreu em fase avançada da obra, próximo à inauguração e em contexto de mobilização pré-eleitoral. Essa mudança de denominação ocorreu simultaneamente a anúncios como o da governadora Fátima Bezerra para o Hospital Metropolitano do Rio Grande do Norte e a entrega da primeira etapa do Hospital Municipal de Natal pelo então prefeito Álvaro Dias. A similaridade temporal alimenta suspeitas sobre a motivação para a reclassificação, especialmente pela ausência de modificações substanciais no projeto original, que foi concebido para funcionar como policlínica.
A reclassificação da unidade como hospital, contrariando sua concepção original de policlínica, gera preocupações sobre a transparência na administração pública e o planejamento de serviços de saúde. Isso afeta a credibilidade no uso de recursos públicos e na capacidade da unidade de atender de fato às necessidades da população.
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