Saiba quais são as 5 bombas que Fábio Faria enfrentará no Ministério das Comunicações

Escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para chefiar o novo Ministério das Comunicações, Fábio Faria (PSD) terá ao menos cinco tarefas urgentes e de elevada complexidade para resolver em Brasília. A pasta contará com orçamento superior a 2 bilhões de reais e ficará encarregada de questões como o aprimoramento da interlocução do governo com a sociedade, a administração dos Correios e a supervisão do leilão da tecnologia 5G de internet. Faria também precisará lidar com a ala ideológica do bolsonarismo, que enxerga a comunicação institucional como um ativo precioso, e com as turbulentas relações entre o presidente e o Congresso.
Interlocução do governo: Genro do apresentador Silvio Santos, dono do canal SBT, Fábio Faria foi convidado para o ministério após uma conversa em que Bolsonaro se queixou das falhas na sua estratégia de comunicação. Com a criação do 23º ministério do governo, o presidente extinguiu sua Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) e transformou o ex-chefe da pasta, Fabio Wajngarten, no número dois de Faria. Wajngarten tem uma postura combativa em relação à imprensa e radicalizou as críticas após a Polícia Federal ter aberto um inquérito para investigar se ele cometeu crimes de corrupção e peculato no exercício do cargo. Faria, por sua vez, é visto como um político aberto ao diálogo com os executivos do setor das comunicações. Aparar as arestas com a Rede Globo, o maior conglomerado de mídia do país, deverá ser uma de suas prioridades. Bolsonaro enxerga a emissora como a maior inimiga de seu governo e ameaçou não renovar as concessões para manter sua operação. A relação do novo ministro com Silvio Santos também merecerá um olhar cuidadoso, já que Faria será o responsável pelo direcionamento de parte da verba de publicidade oficial.
Estatais: Faria herdará a administração de estatais que parecem já não figurar mais nos planos de privatização do governo. Entre elas, os Correios são o principal equipamento nas mãos do novo ministro. Em 2019, VEJA revelou um estudo preliminar do secretário de Desestatização, Salim Matar, que alertava para a contagem regressiva relacionada à venda da estatal. Em função do crescimento de empresas privadas de entrega, os Correios só iriam gerar lucro ao governo se fossem privatizados num prazo de cinco anos. Agora, a estatal está sob o arco de influência de Gilberto Kassab, ex-ministro das Comunicações e presidente do partido ao qual Faria pertence. Escolher a presidência para gerir o milionário orçamento da estatal é um artigo de luxo, principalmente no momento em que Bolsonaro negocia cargos com as siglas do Centrão. Outra estatal no guarda-chuva de Faria é a EBC, que entrou só neste ano na lista de ativos que o governo deseja privatizar. Mas, por enquanto, tudo não passa de mera intenção.
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