"Quando um ministro se coloca acima das garantias fundamentais, todos os cidadãos correm risco", alerta Rogério Marinho

"Quando um ministro se coloca acima das garantias fundamentais, todos os cidadãos correm risco", alerta Rogério Marinho
FOTO: EDILSON RODRIGUES

O senador Rogério Marinho se pronunciou em suas redes sociais sobre as recentes decisões do ministro Alexandre de Moraes.

Revisitando a decisão de Alexandre de Moraes, reconheço que me precipitei ao esperar bom senso de alguém que está atuando com o fígado.

Entendi que a liberação para entrevistas fosse um gesto de equilíbrio, mas o que vimos foi o oposto: uma armadilha jurídica. Bolsonaro pode falar, mas se terceiros — inclusive jornalistas ou cidadãos comuns — divulgarem o conteúdo em redes sociais, a prisão é autorizada. Isso não é justiça. É censura prévia travestida de cautelar.

Estamos diante de um caso clássico de efeito inibidor: ninguém mais sabe o que pode ou não publicar, e o medo cala até quem tem razão. É a morte civil do indivíduo pela subtração da sua presunção de inocência, sem julgamento, sem contraditório, sem proporcionalidade.

Pior: todos os cidadãos e meios de comunicação do país passam a viver sob a espada da subjetividade do ministro, que, sem qualquer previsão legal, decidirá a seu bel-prazer quem será ou não enquadrado como “milícia digital”. Isso não é combate à desinformação — é autoritarismo em toga.

Quando um ministro se coloca acima das garantias fundamentais, todos os cidadãos correm risco. O Supremo não pode ser o censor da República. E liberdade de expressão não pode depender do temperamento mercurial de um ministro. ‎

Rogério Marinho
Senador da República (PL/RN)
Líder da Oposição no Senado

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