PSOL decide apresentar projeto para acabar com autonomia do Banco Central, após Lula atacar instituição

PSOL decide apresentar projeto para acabar com autonomia do Banco Central, após Lula atacar instituição
FOTO: MARCELLO CASAL JR
FOTO: MARCELLO CASAL JR

Em meio à ofensiva do governo federal sobre a atuação do Banco Central (BC), o PSOL vai apresentar ainda nesta terça-feira (7) um projeto de lei para revogar a autonomia da instituição. O partido, que apoiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições, ainda vai protocolar um requerimento de convite para o presidente do BC, Roberto Campos Neto, explicar na Câmara dos Deputados a política de juros adotada pelo Banco.

O requerimento será protocolado na Mesa-Diretora da Câmara pelo líder do PSOL na Casa, deputado federal Guilherme Boulos (SP), próximo de Lula. A lei da autonomia do Banco Central impede que Campos Neto seja convocado por parlamentares, o que levou à apresentação de um requerimento de convite. No caso de ministros de Estado, os deputados costumam iniciar a pressão por meio de requerimentos de convocação.

Nos últimos dias, Lula subiu o tom das suas críticas ao Banco Central e a Roberto Campos Neto. Na segunda-feira (6), por exemplo, o petista disse que não “tem explicação” para o patamar da taxa básica de juros (Selic) – atualmente em 13,75% ao ano.

No mês passado, Lula classificou como “bobagem” a ideia de que um BC independente pode “fazer mais” do que quando o presidente do banco era indicado pelo chefe do Executivo.

Aprovada pelo Congresso em 2021, a aprovação da autonomia formal do BC estabelece, entre outros pontos, mandatos fixos para a diretoria. Essas mudanças, segundo o BC, reduzem a influência política sobre seus dirigentes, que determinam o patamar da Selic. Com esse instrumento, o BC controla a quantidade de dinheiro na economia e o impacto que isso tem sobre os preços.

Além disso, a autonomia é vista como um sinal positivo para o mercado financeiro – em especial, investidores internacionais. Em tese, com mandatos fixos, os diretores do BC teriam mais condições de manter a continuidade da política monetária, independentemente do presidente da República eleito. Ela blinda, por exemplo, da pressão contra subir a taxa básica de juros (o que encarece os empréstimos) em momentos em que a inflação estiver alta em meio a uma economia cambaleante.

Portal 98 FM

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