FERNANDO HADDAD, CANDIDATO A VICE-PRESIDENTE, VISITA METALÚRGICOS EM SÃO BERNARDO DO CAMPO (SP) - 05/09/2018 (RICARDO STUCKERT/HADDAD OFICIAL/FLICKR)
Com Lula afinal e oficialmente fora do páreo, apesar dos recursos e recursos e recursos, sobrou para o PT um bom abacaxi para descascar. A um mês do primeiro turno, o partido tem de convencer o segmento menos ideologizado de seus eleitores de que o ex-prefeito Fernando Haddad (ou “Andrade”, conforme o registro que se disseminou em parte do Nordeste) é praticamente um Lula sem barba. A empreitada já seria difícil se a afirmação fosse verdadeira. E fica ainda mais complicada quando se sabe que nada poderia ser mais falso.
Na última semana, Haddad trilhou lugares históricos percorridos feito por Lula. No sábado, visitou Guaranhuns (PE), terra natal do ex-presidente, onde vestiu chapéu de cangaceiro e andou de cavalo. Na última quarta-feira, ele madrugou na porta da fábrica da Mercedes Benz e da Volkswagen, em São Bernardo do Campo, rememorando o roteiro da campanha salarial liderada pelo ex-presidente, em 1978. Em seguida, fez uma caminhada pelo centro de Diadema. Ele se apresentava às pessoas na rua, contando os seus feitos como ministro da Educação de Lula. “Vocês conhecem o Sisu, o Prouni?”, perguntou ele a um grupo de três estudantes, que fizeram um não com a cabeça, acanhados. “Não conhecem mesmo?”, questionou novamente Haddad, deixando para lá o assunto e prosseguindo a caminhada. Depois, entrou em um açougue, de onde ouviu de um funcionário que “ele ainda precisa correr muito para alcançar Lula”.
Enquanto Haddad se esforça em seu processo de metamorfose, a defesa de Lula tenta suas últimas cartadas. Na quinta-feira, a principal aposta dos advogados fracassou. O ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin negou o pedido de liminar feito pela defesa do petista, que se baseava na recomendação de um conselho consultivo da ONU que defende a manutenção dos direitos políticos de Lula. Fachin, que dias antes havia sido o único ministro a votar favoravelmente a Lula no julgamento do TSE, desta vez decidiu contra o petista. Alegou que a recomendação da ONU era válida na esfera eleitoral, e não na penal. Em seguida, foi a vez do ministro do STF Celso de Mello rejeitar um pedido de liminar que visava manter a sua campanha enquanto outro recurso ainda não era apreciado no TSE.
Apesar de o recurso ainda estar pendente, os advogados de Lula já reconhecem que não deve haver tempo para serem julgados antes do próximo dia 11, data-limite determinada pela Justiça Eleitoral para a substituição da chapa petista. Antes de ser declarado inelegível, o ex-presidente marcava 39% de intenções de voto no Datafolha, enquanto Haddad, quando posicionado como seu candidato, pontuava apenas 4%. Na primeira pesquisa sem Lula, feita pelo Ibope nos três primeiros dias do horário eleitoral na TV, ele sobe para 6%. Está ainda muito longe de parecer capaz de herdar o legado de seu padrinho. Mas, como mostra sua metamorfose, está decidido a conseguir isso.
Fonte: VEJA
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