Privatização da CAERN mata discurso de Fátima e pode ser 'tiro no pé' nas vésperas das eleições, observa ex-prefeito

FOTO: DIVULGAÇÃO/ASCOM-CAERN

O jornalista e ex-prefeito de Macau, Tulio Lemos, publicou em seu blog uma análise sobre a intenção da governadora Fátima Bezerra em privatizar a Caern. Para ele, além da companhia ser superavitária, critérios precisam ser transparentes e discutidos junto à classe política, para que a efetização do processo de desestatização não vire uma espécie de 'tiro no pé' da gestora, nas vésperas das eleições. Confira:

O Governo da professora Maria de Fátima Bezerra poderá entrar para a história como a gestão que vendeu a CAERN, matando o discurso de proteção ao patrimônio público estatal e dando munição para que os adversários façam a festa contra sua história e contra sua gestão.

A privatização de uma empresa estatal pode sempre ser discutida e efetivada. Porém, é necessário estabelecer parâmetros mínimos que indiquem a necessidade da medida.

No caso da CAERN, a empresa estatal de águas e esgotos é superavitária. Ou seja: Arrecada mais que gasta. E isso não é comum em empresas públicas.

A CAERN administra um sistema que leva água a praticamente todos os municípios do Estado e, na maior parte, a receita é inferior à despesa. Há uma compensação para fazê-la ser lucrativa quando boa parte de seu mercado consumidor é deficitária.

O que a CAERN perde nos pequenos municípios, ganha nos maiores, produzindo o superavit que é traduzido em lucro.

Já houve tentativas em governos anteriores de privatização da CAERN. Governos de direita não ousaram vender a estratégica Companhia de Águas e Esgotos do RN. Seria justamente numa gestão de esquerda, ideologicamente contrária à venda de estatais à iniciativa privada que isso irá acontecer?

Há falhas na prestação do serviço? Se há, tem que ser corrigidas. É necessário tornar a prestação de serviço da CAERN de excelência. Dinheiro tem para isso. Afinal, a empresa está em sucessivos balanços de lucro.

A privatização da CAERN, justamente na véspera da eleição, pode ser o adversário que faltava para concorrer contra Fátima.

O fato é que a privatização da CAERN está obscura e em silêncio comprometedor por parte do Governo do Estado. A Assembleia está analisando projeto que não é explícito quanto ao tema. Pior ainda. Há suspeitas de que a venda da CAERN estaria camuflada para não chamar a atenção.

Fátima não pode calar diante desse tema. Seu silêncio é de cumplicidade e acobertamento ao processo de privatização do patrimônio potiguar.

Imperioso que a governadora, que tantas lutas encampou para defender a CAERN e seus servidores, venha a público e esclareça de forma explícita se vai realmente sepultar seu discurso de outrora e privatizar a CAERN ou tudo não passa de um jogo da oposição para desgastar a gestão Estadual.

Afinal, qualquer governador poderia ter motivo e discurso ideológico para privatizar a CAERN. Menos Fátima.

Privatizar uma empresa que dá lucro e é simbólica para o RN, é sepultar uma história e apagar o discurso.

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