Fátima Bezerra é governadora do RN e Carlos Eduardo é derrotado pelo próprio sobrenome Alves
FÁTIMA BEZERRA É ELEITA GOVERNADORA DO RN E CARLOS EDUARDO PASSA AGORA A LIDERAR A OPOSIÇÃO
A senadora Fátima Bezerra (PT) foi eleita governadora do Rio Grande do Norte com um total de 945.008 votos (47,45% dos votos válidos) e uma maioria superior a de 245 mil votos sobre o seu concorrente, o ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo, derrotado por seu sobrenome "Alves", fato exaustivamente ressaltado por sua adversária, e que contribuiu para que o eleitor o rejeitasse e o identificasse como sendo um "candidato das oligarquias" e da "velha política", apesar de ser um candidato vitorioso como gestor público. Carlos Eduardo obteve 699.923 votos (42,55% dos votos válidos).
Além do sobrenome, houve a adoção de estratégia eleitoral equivocada, que isentou de desgastes a candidata do PT durante todo o primeiro turno. Alves deixou Fátima Bezerra "solta" no primeiro turno, ao eleger o governador Robinson Faria como alvo principal de sua metralhadora giratória. O tiro foi errado: Robinson era um candidato com cerca de 80% de rejeição e que nem de longe representava uma ameaça letal para o ex-prefeito de Natal, apesar da suposta força da chamada "máquina administrativa" do governo do Estado.
Já no segundo turno, a demora de Carlos Eduardo em se posicionar pró-Bolsonaro também foi nociva. Naquela ocasião, o ex-prefeito de Natal sofreu pressão do seu partido para não se declarar a favor do presidenciável Jair Bolsonaro. Depois de muita indecisão, Carlos Eduardo resolve finalmente lincar a sua imagem a de Bolsonaro.
A decisão do ex-prefeito de Natal recebeu de imediato a represália financeira do seu partido, o PDT. O presidente nacional da legenda e ex-ministro do Trabalho, Carlos Lupi, deixou a campanha de Carlos Eduardo à pão e água, repassando, do fundo partidário, apenas a irrisória quantia de R$ 500 mil, valor dividido em cinco vezes.
Eleita governadora, Fátima Bezerra, que não tem qualquer experiência administrativa, terá que fazer mágica para honrar a folha de pagamento do funcionalismo estadual, redimensionar a maquina pública e obter recursos do governo federal para colocar o Rio Grade do Norte nos trilhos do desenvolvimento.
Outra missão nada simples será a de conter o "xiitismo" de seus correligionários, muitos deles propensos a promover uma "caça às bruxas", envolvendo os adversários da campanha eleitoral.
Fátima Bezerra terá que se superar em criatividade e talento, além de negociar com as classes produtivas do estado um pacto a favor do Rio Grande do Norte, de forma plural e sem ódio.
Caso contrário, não passará mais de seis meses para a população começar a sentir saudades de Robinson Farias e dizer que era feliz e não sabia.
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