Comandante do Exército disse que vitória de Lula foi 'indesejada'

FOTO: GERALDO MAGELA

Dias antes de ser nomeado comandante do Exército pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva afirmou que a vitória do petista nas urnas foi "indesejada" para "a maioria" dos fardados, mas "infelizmente" ocorreu. As declarações feitas em 18 de janeiro vieram a público e levaram ontem o militar a ligar para o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, para dizer que suas falas foram tiradas de contexto. O Palácio do Planalto não vai dispensar Paiva.

Em conversa reservada com subordinados no Comando Militar do Sudeste, Paiva destacou que não há elementos legais para contestar o resultado da eleição e alegar fraude, mas ponderou que "essa sensação (de irregularidade) ficou, porque a eleição foi apertada". No mesmo discurso revelado pelo podcast Roteirices, ele fez críticas a Jair Bolsonaro (PL) e acusou o ex-presidente de tentar instrumentalizar as Forças Armadas.

"A gente participou da comissão de fiscalização (da eleição). Não aconteceu nada, não teve nada. Tanto que teve um relatório do Ministério da Defesa que foi emitido e que fala que não foi encontrado nada naquilo que foi visto.

Agora, o processo possivelmente pode ter falhas que têm de ser apuradas, falhas graves, mas não dá para falar com certeza que houve irregularidades. Infelizmente foi o resultado que a maioria de nós, para a maioria de nós foi indesejado, mas aconteceu", disse Paiva.

As declarações foram feitas em uma cerimônia em homenagem a militares mortos no terremoto de 2010 no Haiti. Antes de iniciar a fala, o general advertiu que não queria ser gravado. Três dias depois, ele assumiu o Comando-Geral do Exército no lugar de Júlio César de Arruda, que foi substituído treze dias depois dos ataques golpistas de 8 de janeiro por se recusar a cumprir a ordem de Lula para revogar a nomeação do coronel bolsonarista Mauro César Barbosa Cid.

PREOCUPAÇÃO

Na ligação para Múcio, o general se mostrou preocupado com a repercussão do episódio, considerado por ele como "fogo amigo". O comandante do Exército insistiu que o tom de suas declarações foi no sentido de destacar que as Forças Armadas não encontraram qualquer irregularidade no processo eleitoral.

Paiva disse a Múcio que em nenhum momento teve a intenção de ofender Lula. Ao contrário: afirmou ter feito um discurso legalista, pedindo aos subordinados que aceitassem o resultado da disputa entre Lula e Bolsonaro. No discurso, por exemplo, ele afirmou que o "pessoal da extrema direita" estava corroendo as Forças Armadas. "O pessoal da extrema direita, que incluo pessoal nosso, está permitindo que nos ataquem, inclusive tentando destruir cadeia de comando", disse o general.

Paiva também lamentou o desfile de blindados da Marinha em Brasília no dia da votação no Congresso da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do voto impresso, em 2021. Ele afirmou que, pessoalmente, tinha simpatia pela iniciativa. "Foi uma proposta legítima do presidente (Bolsonaro) de aperfeiçoar o sistema eleitoral. Independente de eu concordar ou não, a proposta foi rejeitada", afirmou.

Estadão

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário