CRIME DIGITAL

Receita Federal e PF desarticulam quadrilha de R$ 1 bilhão em marketplaces

Fachada do prédio da Receita Federal durante operação contra contrabando digital.
Fachada do prédio da Receita Federal em Brasília durante a Operação Platinum.

Operação Platinum mira esquema de contrabando e lavagem de dinheiro, com R$ 300 milhões movimentados só no Mercado Livre entre 2020 e 2024.

Em 8 de abril, a Receita Federal e a Polícia Federal deflagraram a Operação Platinum, um golpe contra uma organização criminosa que movimentou cerca de R$ 1 bilhão em vendas de produtos contrabandeados através de grandes plataformas digitais, como Shopee, Mercado Livre e Magazine Luiza. A ação, que visa proteger a economia formal e a dignidade dos consumidores, busca desmantelar um esquema sofisticado que explorava o e-commerce para a lavagem de dinheiro e comércio ilegal, afetando diretamente a concorrência leal e a segurança de quem compra online.

As investigações revelam que o grupo atuava de forma altamente estruturada, utilizando marketplaces para comercializar mercadorias ilegalmente trazidas do Paraguai, conferindo uma falsa aparência de legalidade às transações. Somente no Mercado Livre, a quadrilha movimentou mais de R$ 300 milhões em vendas ilegais.

A estimativa é que, entre 2020 e 2024, o esquema tenha gerado um faturamento total de aproximadamente R$ 1 bilhão, incluindo não apenas as vendas de contrabando, mas também complexas operações de lavagem de dinheiro. Este volume financeiro colossal representa um grave desvio de recursos que poderiam impulsionar a economia legal do país.

A Operação Platinum cumpre 21 mandados de prisão preventiva e 32 de busca e apreensão, distribuídos em seis estados: Paraná, Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Pernambuco. Mais de 150 agentes, incluindo auditores da Receita e policiais federais, estão mobilizados nesta vasta operação interestadual.

As apurações tiveram início em 2022, após a interceptação de um comboio de mercadorias transportadas irregularmente. A investigação subsequente desvendou que os próprios membros da organização eram responsáveis pela distribuição e venda dos produtos nas plataformas digitais, operando com uma rede que integrava logística, importação clandestina e comércio eletrônico.

Para dar lastro às suas atividades ilícitas, o grupo montou uma estrutura intrincada, utilizando empresas de fachada e "laranjas" para abrir contas bancárias e movimentar grandes somas. Empresas fantasmas também foram criadas unicamente para emitir notas fiscais falsas, na tentativa de legalizar as vendas de produtos contrabandeados.

Entre os itens mais comercializados pela organização estavam eletrônicos de alto valor, como celulares das marcas Apple, Samsung e Xiaomi, além de discos rígidos, robôs aspiradores, equipamentos de internet via satélite, aparelhos de ar-condicionado portáteis, perfumes e tintas para impressoras. A diversidade de produtos evidencia a amplitude da atuação do grupo.

Com uma atuação transnacional, a organização criminosa chegou a gerenciar cerca de 300 empresas, em sua maioria simuladas, e contava com a participação direta de dezenas de pessoas físicas no esquema. A Receita Federal enfatiza que o objetivo primordial da Operação Platinum é desmantelar não apenas a comercialização ilegal, mas toda a complexa rede financeira e logística que sustentava o contrabando e a lavagem de capitais.

As investigações prosseguem, e novas apreensões de mercadorias ilegais estão sendo realizadas à medida que a operação avança, prometendo mais desdobramentos na luta contra o crime organizado no comércio eletrônico.

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