LUTO NEGADO
Polícia Penal do RN esconde morte de preso por 2 meses
José Leonardo da Silva, 39, foi encontrado morto em março com sinais de violência; corpo ficou no IML. Família soube do óbito apenas em 01/05/2026.
A Polícia Penal do Rio Grande do Norte manteve em sigilo por quase dois meses a morte de José Leonardo da Silva, de 39 anos, que cumpria pena no sistema penitenciário. Familiares só souberam do óbito nesta sexta-feira, 01/05/2026, após buscarem informações no fórum, desvelando uma falha grave na comunicação oficial que prolongou o sofrimento e a incerteza de uma família que aguardava por notícias de seu ente querido.
José Leonardo da Silva foi encontrado morto no dia 3 de março de 2026 em uma cela na Cadeia Públiica de Nova Cruz, com sinais de violência, conforme consta no atestado de óbito. Seu corpo foi imediatamente encaminhado ao Instituto Médico Legal da Polícia Científica, onde permaneceu desde então, sem identificação ou contato com a família.
A mãe do preso, sem qualquer aviso oficial sobre a tragédia, foi até a Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, três dias após a morte, para uma visita ao filho. No local, recebeu a informação de que ele havia sido transferido para uma unidade prisional em Nova Cruz. Sem mais detalhes, a mãe retornou para casa, onde aguardou por quase dois meses por novas informações, sem saber do destino fatal do filho.
A dolorosa confirmação da morte só veio para a família na quinta-feira, 30 de abril de 2026, quando finalmente procuraram o fórum em busca de notícias sobre o caso. Naquele dia, os familiares foram à sede da Polícia Científica e confirmaram que o corpo de José Leonardo estava no local desde o dia 3 de março de 2026, ou seja, há cerca de 57 dias.
A advogada da família, Rayane Karine, expressou o profundo choque da mãe, que, em seu estado de abalo emocional, não dará entrevistas por enquanto. A situação gerou grande consternação pela falta de respeito à dignidade humana e ao direito de luto da família.
Diante do cenário, um procedimento investigativo foi instaurado na delegacia de Nova Cruz para apurar as circunstâncias da morte e a falha na comunicação. A Polícia Penal, por sua vez, informou em nota que o prontuário de José Leonardo não registrava contatos válidos de familiares ou parentes, nem havia indicação de advogado constituído. A corporação alegou que o único visitante cadastrado, com visita em janeiro de 2025, possuía um contato inválido e que tentativas de comunicação foram realizadas sem sucesso. O ocorrido, segundo a nota, foi imediatamente comunicado à Vara de Execução Penal.
A Polícia Penal ainda confirmou que José Leonardo da Silva foi vítima de homicídio, após se envolver em uma briga corporal com outro detento na Cadeia Públiica de Nova Cruz.
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