ESQUEMA MILIONÁRIO
Polícia Federal prende MC Ryan SP e Poze do Rodo em operação de lavagem
Cantores são alvos da Operação Narco fluxo, que apura movimentações de mais de R$ 1,6 bilhão, incluindo operações no exterior.
Nesta quarta-feira, 15 de abril, a Polícia Federal prendeu os cantores MC Ryan SP e Poze do Rodo, nomes proeminentes do funk nacional, em uma operação que apura um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro. A Operação Narco fluxo investiga movimentações financeiras que superam R$ 1,6 bilhão, incluindo transações no exterior, e revela a complexidade da ocultação de bens que atinge figuras públicas, levantando questões sobre a responsabilidade e o impacto de tais crimes na sociedade e na reputação de artistas.
A ação, parte da Operação Narco fluxo, mira uma associação criminosa suspeita de ocultar e dissimular recursos por meio de empresas, terceiros e transações com criptoativos. O desdobramento coloca em xeque a imagem de dois dos mais ouvidos nomes do gênero, cujas carreiras, marcadas por grande sucesso, agora enfrentam o escrutínio da justiça.
Poze do Rodo: ascensão meteórica e desafios com a lei
Marlon Brendon Coelho Couto Silva, conhecido como MC Poze do Rodo, alcançou projeção no funk carioca no final da década de 2010. Com sucessos como “Diz aí qual é o plano?”, “Me sinto abençoado” e “Essência de cria”, ele consolidou uma base de mais de 15 milhões de seguidores nas redes sociais. Seu apelido, “pitbull do funk”, reflete a persona forte que o levou a cachês que giram em torno de R$ 200 mil por apresentação.
Contudo, a trajetória do artista também é pontuada por episódios com a polícia. Esta é a terceira vez que Poze é detido. Em 2019, ele foi preso durante um show por apologia ao crime. Mais recentemente, em 2024, voltou a ser alvo de investigação na Operação Rifa Limpa, conduzida pela Polícia Civil do Rio. No fim de março deste ano, o cantor ainda registrou um assalto em sua residência, com um prejuízo estimado em R$ 2 milhões.
Ryan SP: do luxo nas redes ao banco dos réus
Natural de São Paulo, MC Ryan SP figura entre os artistas mais escutados da nova geração do funk, com milhões de reproduções em plataformas digitais e uma presença marcante nas redes sociais. Sua imagem pública é frequentemente associada à ostentação, exibindo carros de luxo e um estilo de vida extravagante online.
Assim como Poze, a carreira de Ryan SP não está isenta de controvérsias. Entre os incidentes recentes, o cantor foi preso após realizar manobras perigosas com uma Lamborghini dentro de um estádio, situação que exigiu o pagamento de fiança de R$ 1 milhão para sua liberação. Ele também se envolveu em polêmica após a divulgação de um vídeo de agressão à ex-namorada e outras ocorrências relacionadas à direção perigosa. Sua fama internacional, inclusive, foi reforçada pela publicação de imagens dentro da mansão do jogador Cristiano Ronaldo, em Portugal.
MC Ryan SP foi detido em uma casa na paradisíaca Maresias, no litoral paulista, enquanto Poze do Rodo foi encontrado no Rio de Janeiro. Ambos são peças centrais no mesmo inquérito que busca desvendar a estrutura de lavagem de dinheiro com ramificações no Brasil e no exterior. A Polícia Federal afirma que o grupo utilizava mecanismos complexos para ocultar valores, incluindo movimentações financeiras de alto montante, transporte de dinheiro em espécie e o uso estratégico de criptoativos.
As autoridades não detalharam, até o momento, o papel específico de cada investigado no esquema. Os envolvidos podem responder por crimes graves como lavagem de dinheiro, associação criminosa e evasão de divisas, processos que podem ter um impacto profundo em suas vidas e carreiras, e que, se comprovados, reforçam a luta do Estado contra a criminalidade financeira que afeta a economia e a justiça social.
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