INFLUÊNCIA E CRIME

PF prende dono da Choquei por suspeita de lavagem bilionária

Advogado do dono da página 'Choquei' comenta prisão
Advogado do dono da página 'Choquei' comenta prisão

Raphael Sousa Oliveira é apontado como "operador de mídia" em esquema de R$ 1,6 bilhão. Defesa nega e diz que serviços eram lícitos.

Nesta quarta-feira (15), a Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação que resultou na prisão de Raphael Sousa Oliveira, conhecido como o dono da influente página "Choquei". A decisão judicial que levou à sua detenção baseia-se na suspeita de que ele atuaria como "operador de mídia" em uma organização criminosa, movimentando mais de R$ 1,6 bilhão por meio de lavagem de dinheiro, transações ilegais e promoção de plataformas de apostas clandestinas. O caso abala o universo digital, questionando a responsabilidade de grandes influenciadores e o impacto da divulgação de conteúdo para milhões de seguidores, levantando preocupações sobre a vulnerabilidade da sociedade a esquemas financeiros ilícitos.

Raphael Sousa Oliveira é investigado por produzir e divulgar conteúdos favoráveis a indivíduos sob escrutínio por lavagem de dinheiro, além de receber altos valores para promover apostas ilegais e rifas online. Entre os envolvidos na operação, batizada de Narco Fluxo, estão outros influenciadores como MC Ryan SP e Chrys Dias, que também foram detidos. A operação mira em um sofisticado esquema de ocultação de valores, envolvendo operações financeiras vultosas, transporte de dinheiro em espécie e transações com criptoativos.

A defesa de Raphael Sousa Oliveira rapidamente se pronunciou, negando veementemente qualquer envolvimento do influenciador com uma organização criminosa. Segundo seus advogados, os valores recebidos por Raphael se referem exclusivamente à prestação de serviços publicitários legítimos, por meio de sua empresa. Eles afirmam que Raphael jamais integrou qualquer esquema ilícito e sua atuação sempre se limitou à veiculação de publicidade contratada, comprometendo-se a demonstrar a legalidade de suas ações durante o processo.

A "Choquei", página administrada por Raphael, acumula mais de 27 milhões de seguidores, tornando-o uma figura de grande influência nas redes sociais. Dados da Receita Federal indicam que ele é sócio-administrador de duas empresas ligadas à página, ambas sediadas em Goiânia e fundadas em 2019 e 2021, respectivamente. Além da prisão, um mandado de busca e apreensão também foi cumprido em endereços relacionados ao influenciador. Durante as investigações, a Polícia Federal apreendeu armas, carros de luxo e um colar com a imagem do narcotraficante Pablo Escobar, o que reforça a gravidade das acusações.

Outros nomes de peso no cenário do entretenimento também foram mencionados na operação. A defesa de MC Ryan SP, que também foi preso, declarou que ainda não teve acesso aos autos do processo, que correm sob sigilo. No entanto, ressaltou a integridade do artista e a lisura de suas transações financeiras, garantindo que todos os valores possuem origem comprovada e impostos recolhidos. Já a equipe jurídica de MC Poze do Rodo, citado na operação, afirmou desconhecer o teor do mandado de prisão e prometeu manifestar-se na Justiça assim que tiver acesso aos documentos para restabelecer a liberdade do artista e prestar os devidos esclarecimentos.

Este caso complexo sublinha a crescente preocupação com a ética na publicidade digital e o uso indevido da influência nas redes sociais para fins ilícitos. A Operação Narco Fluxo destaca a vigilância das autoridades sobre o fluxo de dinheiro em plataformas digitais e o papel de influenciadores na promoção de atividades que podem ter um impacto devastador na vida de milhares de pessoas.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário