CRIME SEM LIMITES

MPRN expõe plano de facção para matar delegado em João Câmara

Delegado Luciano Augusto, alvo de facção criminosa em João Câmara, Rio Grande do Norte.
Delegado Luciano Augusto, alvo de plano de facção em João Câmara, em imagem de arquivo.

Investigação revela que advogada transmitia ordens para execução; grupo do Sindicato do Crime agia no tráfico e controle territorial.

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) denunciou nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026, integrantes de uma facção criminosa por planejar o assassinato do delegado Luciano Augusto, titular da 85ª Delegacia de Polícia Civil de João Câmara. A denúncia, fundamentada em uma investigação detalhada, expõe a audácia do crime organizado, que buscou retaliar operações policiais bem-sucedidas na região. O caso é crucial por revelar a participação de uma advogada na transmissão de ordens e o risco extremo enfrentado por agentes de segurança pública, impactando diretamente a segurança e a integridade da sociedade potiguar.

A investigação aponta que a advogada utilizava visitas prisionais para repassar instruções sobre o funcionamento da organização criminosa e detalhes de ações ilícitas. O grupo, conhecido como Sindicato do Crime, atuava no tráfico de drogas e no controle territorial de João Câmara e Caiçara do Norte, impondo medo e violência à população.

O MPRN detalha que a facção possuía uma estrutura complexa, com clara divisão de tarefas, que incluía desde o comando do tráfico até a execução de rivais. Provas cruciais foram obtidas pela análise de celulares apreendidos, que continham mensagens explícitas sobre a atuação e os planos do grupo.

José Eduardo Souza de Lima, o líder da organização, comandava as ações de dentro de uma unidade prisional. A denúncia confirma que a advogada era a intermediária essencial para o envio de orientações aos comparsas em liberdade, garantindo a continuidade das atividades criminosas mesmo com o chefe detido.

Para executar o plano contra o delegado, os investigados tentaram adquirir armas de alto calibre, incluindo fuzis. A ordem repassada indicava que a morte da autoridade era uma prioridade máxima, visando restabelecer as atividades do grupo e intimidar as forças de segurança.

A investigação aponta que a motivação para o atentado eram as sucessivas operações e apreensões realizadas pela Polícia Civil na região, que causaram grandes prejuízos à facção.

As mensagens interceptadas revelaram também que os integrantes seguiam rigorosas regras para evitar a identificação. Eles apagavam conversas, usavam senhas e recusavam acesso a aparelhos durante abordagens, numa tentativa de dificultar a atuação das forças de segurança e preservar a identidade dos membros da organização.

O MPRN descreve ainda a aplicação de punições internas, chamadas de “brecamentos”, contra aqueles que desobedeciam às ordens da facção, evidenciando a hierarquia e a brutalidade do grupo.

Registros encontrados nos celulares mostram imagens de armas, munições e drogas prontas para comercialização, confirmando a materialidade dos crimes.

Durante a operação policial, foram apreendidos materiais ilícitos nas cidades investigadas. A denúncia informa que os envolvidos possuem antecedentes criminais e alguns se declaravam integrantes da facção no sistema prisional, reforçando a periculosidade do grupo.

A facção planejava expandir sua atuação para municípios vizinhos, usando João Câmara como base principal, o que demonstra a ambição e o perigo de sua expansão para todo o Estado.

O delegado Luciano Augusto expressou a gravidade da situação ao MPRN: “o principal investigado e líder da facção passou a sofrer grandes prejuízos financeiros e concomitantemente viu seus familiares também serem alvos de medidas cautelares. As forças de segurança do Estado tomaram todas as medidas de segurança pessoal para mim e toda a equipe. Ameaças e planos de execução jamais farão com que deixemos de combater o crime”. Sua declaração reforça a determinação das autoridades em face da intimidação.

Após a descoberta do plano, o líder da facção, José Eduardo Souza de Lima, e um irmão foram transferidos para o sistema penitenciário federal, uma medida crucial para desarticular a organização e garantir a segurança das operações policiais.

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