CRIME CHOCA PAÍS
Justiça mantém prisão de ex-padrasto que premeditou morte de menina
Investigação da Polícia Civil revela anotações em caderno e motivação por vingança contra ex-companheira. Pena para vicaricídio vai de 20 a 40 anos.
O assassinato de Pétala Yonah, de apenas 7 anos, choca o país após a Polícia Civil revelar, nesta quarta-feira, 22/04/2026, que o ex-padrasto da menina planejou detalhadamente o crime. A Justiça já havia convertido a prisão em flagrante do suspeito em temporária na terça-feira, 21/04/2026, confirmando a confissão de que o ato bárbaro tinha como objetivo punir a ex-companheira, mãe da criança, por não aceitar o fim do relacionamento. A crueldade do planejamento e a motivação por trás do vicaricídio evidenciam um crime que impacta profundamente a dignidade da família enlutada e ressalta a urgência de combater a violência contra crianças e mulheres.
A investigação da Polícia Civil ganhou corpo com a confissão do ex-padrasto, que foi detido em seu local de trabalho. Sua prisão, inicialmente em flagrante, foi convertida em temporária pela Justiça na terça-feira, 21/04/2026, um passo importante para a continuidade das apurações.
O delegado Márcio Lemos, da Divisão de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), à frente do caso, detalhou as contradições do suspeito. Desde o primeiro depoimento, ele alterou sua versão diversas vezes. Contudo, as anotações em um caderno, juntamente com a confissão, confirmam a premeditação. "Havia um planejamento para um suposto 'sequestro' que evoluiu para a intenção de matar", revelou o delegado. O objetivo era, de fato, "arrebatar a criança para atingir a ex-companheira", confirmando a crueldade do plano.
Além do caderno, a Polícia Civil recolheu dois celulares para análise, sendo um deles descartado no lixo. O delegado Márcio Lemos expressou a esperança de que o aparelho descartado "possa desvendar qual o motivo adicional ou alguma participação" no crime, buscando detalhes cruciais para a investigação.
A motivação, segundo o delegado, tornou-se cristalina: o ex-padrasto buscava vingança contra a ex-companheira, com quem conviveu até janeiro deste ano. A não aceitação do término da relação o impulsionou a cometer o ato. "Ele tentava, de alguma forma, reatar. Não conseguia e, por isso, queria atingi-la", explicou Lemos. Diante da natureza da ação – que visa causar um dano profundo a uma pessoa da família como forma de punição –, o crime foi enquadrado como vicaricídio, além da ocultação de cadáver.
A legislação brasileira, reforçada neste mês de abril após o presidente Lula sancionar um pacote de medidas contra a violência doméstica, prevê pena de reclusão de 20 a 40 anos para o crime de vicaricídio.
As investigações se depararam com as versões contraditórias do suspeito, descrito pelo delegado Márcio Lemos como uma pessoa articulada. Em uma de suas narrativas, ele alegou ter deixado a menina amarrada em uma área de mata, sem matá-la – uma história que "não se sustentou", conforme o delegado. Em outro momento, afirmou que Pétala, vista pela última vez no domingo, 19/04/2026, teria saído de sua casa acompanhada de outras duas crianças. No entanto, o delegado da DHPP confirmou que "entrevistamos essas crianças e elas disseram que quando saíram, a menina ficou lá", desmentindo a versão do ex-padrasto.
Para a Polícia Civil, o caso está praticamente elucidado, e o inquérito policial deve ser concluído e entregue à Justiça em menos de 30 dias.
As apurações revelaram um plano ainda mais sombrio: o suspeito pretendia remover o corpo da criança para outro local. O delegado Márcio Lemos enfatizou a importância da rápida intervenção policial nas primeiras 24 horas. "Acreditamos que, sem a priorização inicial, um mal maior poderia ter ocorrido", afirmou. "Tudo indica que ele planejava não deixar o corpo ali, era apenas uma situação temporária, com o objetivo de levá-lo para outra região, dificultando a ocultação do cadáver e sua localização."
Márcio Lemos também fez questão de descartar qualquer envolvimento da mãe da menina no crime. "Não há elementos que apontem a participação da ex-mulher, da mãe da menina. Não há elemento nenhum", assegurou o delegado.
A forma exata da morte da menina ainda é objeto de investigação. O suspeito apresentou versões conflitantes, alternando entre asfixia e uso de bebida dopante – esta última descartada por ele, mas com vestígios encontrados no lixo pela Polícia Civil. "O lixo estava todo lá. Depois ele fala que foi com saco plástico. Acho que ele tenta uma versão que amenize mais a situação dele", ponderou o delegado Márcio Lemos. A suspeita inicial de violência sexual, levantada por policiais na cena do crime, foi, a princípio, descartada. Exames da Polícia Científica, antes Itep, estão em andamento para confirmar ou refutar essa possibilidade. "Não há indício de violência sexual. Inclusive, um dos fatores que o fez confessar rapidamente foi para afastar e negar essa acusação. Mas os exames do Itep vão confirmar se houve algum tipo de violência sexual ou não", concluiu o delegado.
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