GOLPE
Criminosos usam app para sequestrar celulares e roubar R$ 29 bilhões
Fraude sofisticada transforma seu smartphone em ferramenta de desvio de dinheiro, afetando 24 milhões de brasileiros em um ano. Saiba como proteger seus dados e finanças.
Um golpe digital alarmante, conhecido como "sequestro de celular", tem se intensificado no Brasil, com criminosos utilizando aplicativos maliciosos e técnicas de engenharia social para invadir aparelhos, acessar dados bancários e desviar milhares de reais. A estratégia, que já causou um prejuízo estimado em quase R$ 29 bilhões a 24 milhões de brasileiros em um período de 12 meses, transforma o smartphone em uma "maquininha" de fraude, explorando a confiança das vítimas e violando sua segurança financeira e privacidade de forma devastadora.
A fraude, cada vez mais sofisticada, muitas vezes começa com uma simples ligação ou mensagem, mas pode terminar com perdas de dezenas de milhares de reais e o controle total do aparelho da vítima. O contato inicial é frequentemente feito por alguém que se apresenta como funcionário da área de segurança do banco. O golpista afirma que houve um acesso suspeito ao aplicativo ou uma compra indevida no cartão de crédito.
Em seguida, o criminoso pede que a vítima instale um aplicativo enviado por WhatsApp, sob o pretexto de realizar uma "verificação de vírus". A partir daí, começa a fase mais crítica do golpe. Os bandidos orientam a vítima a compartilhar a tela do celular e conceder permissões adicionais. Com isso, passam a ter acesso remoto completo ao aparelho, incluindo fotos, e-mails, contatos e, principalmente, aplicativos bancários. Em alguns casos, a vítima é induzida a digitar senhas, acreditando que está apenas realizando procedimentos de segurança.
Em situações mais avançadas, criminosos chegam a pedir que a vítima aproxime o cartão bancário da câmera do celular. Usando tecnologia Near Field Communication (NFC), ou "comunicação de campo próximo", o aparelho é transformado em uma maquininha de pagamento, enquanto o golpista simula outra ação na tela, transferindo o dinheiro.
Os impactos dessas ações são devastadores. Um analista de informática de São Paulo, por exemplo, perdeu R$ 55 mil após cair no golpe. Em outro caso comovente, uma aposentada gaúcha de 88 anos foi convencida, em uma ligação que simulava contato do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a permitir o acesso ao celular. Ela só desconfiou quando lembrou que tinha R$ 40 mil guardados no banco, dinheiro que juntava para as netas. "Ele era muito bem treinado, e eu caí", lamenta a idosa, ressaltando a habilidade dos criminosos.
Liliane Dutra, dona de uma rádioweb do Rio Grande do Sul, também foi vítima. Prometendo internet rápida e barata, criminosos a induziram a instalar um aplicativo e fazer um PIX de R$ 1,99. Na verdade, a página continha um vírus que permitiu ao golpista transferir R$ 2 mil para a conta de um "laranja".
Especialistas consideram a evolução desses crimes extremamente preocupante. Eles explicam que esses golpes usam técnicas de engenharia social, que manipulam a vítima com senso de urgência e falsas vantagens. "Se os preços ou as ofertas de investimento estiverem muito fora daquilo que normalmente é praticado no mercado, é um grande sinal de alerta", alerta Merula Borges, especialista em finanças da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).
A orientação é clara: diante de qualquer pedido de senha, compartilhamento de tela ou instalação de aplicativos, a recomendação é desligar imediatamente a ligação. Bancos e instituições sérias nunca solicitam esse tipo de procedimento por telefone ou mensagem. "Quando houver qualquer demanda de dados, senha, compartilhamento de tela, instalação de aplicativos, desligue imediatamente, pois você está, com certeza, sendo fruto de uma tentativa de golpe", enfatiza Ivo Mosca, diretor executivo de Inovação, Produtos e Segurança da Febraban.
Cristiano Borges, analista de segurança da informação, conclui que as pessoas precisam se conscientizar: "As pessoas precisam fazer a sua parte, entender a tecnologia e entender o poder que está ali na mão delas, para que elas consigam utilizar aquilo de forma efetivamente segura." Proteger-se é um ato contínuo de vigilância e conhecimento.
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